MODALIDADES E VALORES DE INSCRIÇÃO: VER BARRA SUPERIOR / INSCRIÇÃO 

Apresentação


“Ser homem é ser experiência de ser homem, no seu todo. E a única experiência de ser homem é ser homem”, escrevia Américo Pereira. A frase deste filósofo evoca-nos a amplitude da experiência de ser e viver de cada ser humano, ao mesmo tempo que nos permite lançar o tema da extensão e da intensidade dessa experiência: qual é a dimensão do horizonte de totalidade do ser humano? Quais são os seus limites?

Em geral, associamos o conceito de limite a fronteira, marco, fim, baliza, magnitude fixa, obstáculo, restrição, repressão (social, física, psíquica, legal); à linha, real ou imaginária, que separa algo (espaço, tempo, sentimento, capacidades, forças). O limite insere o ser humano no universo do conhecido, do vivido, do dominado ou possuído, do que se alcança; o limite torna-se necessário, porque é perante um limite que cada coisa se define, ganha forma, se diz, é o que é. Paralelamente, e em sentido diverso, a modernidade a que Zygmunt Bauman chamou líquida tem como matriz um tempo veloz – o tempo líquido, em que nada é feito para durar –, que parece considerar que qualquer estado relacional com alguma solidez é um insuportável limite para a liberdade. O limite está, portanto, sujeito a perspetivas dissimilares, a apreciações heterogéneas.

Por outro lado, vemos despontar, em várias dimensões do nosso tempo, dinâmicas sociopolíticas de questionamento e resistência à mudança, a uma expansão cultural do humano para além das fronteiras, que podem exprimir o valor da identidade ou o receio da diferença; evitando a incerteza, o limite traduz o ponto até ao qual se pode ir de forma segura, já testada, em contraste com essa outra dimensão do humano que é o constante desejo do novo. Ora, se o humano e a sua obra se circunscrevem nas linhas, reais ou imaginárias, da finitude, o mundo globalizado em que grande parte da humanidade habita atualmente permite projetar essa mesma obra, nos seus múltiplos domínios de expressão – ciência e técnica, cultura e comunicação, religião, política, arte –, para expansões que parecem estar para lá dos seus limites originais.

Por tudo isto, o limite oferece-se ao humano, hoje como nunca, como um ponto de partida, um começo, um desafio ao mais além; e esta projeção é uma experiência por acontecer, é o desconhecido por revelar, é o real por criar. E este ultrapassar da finitude – este desafio à condição bio-psíquico-socio-cultural-espiritual dos seres humanos – contém já a pergunta pelo limite deste por acontecer, por revelar, por criar. O conceito de limite tem, pois, como correlato os conceitos de eternidade, imensidão, incomensurabilidade, superação, libertação.

O II Congresso Internacional Limite(s): Experiências e Desafios da Humana Condição pretende prosseguir a prática de convocar debates transversais e inclusivos e de ouvir a reflexão de académicos e profissionais, num espaço interdisciplinar de liberdade e procura, de construção e mútuo enriquecimento.