Cátia Sá Guerreiro (presidente da Comissão Científica)

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Nota biográfica: Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa, mestre em Saúde e Desenvolvimento com especialização em Gestão de Programas e Projetos pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da UNL e doutorada em Políticas de Saúde, no âmbito Internacional.
Enquanto enfermeira exerceu funções em serviços públicos e depois privados, sempre na área da Pediatria. Desde 2005, trabalhou em estreita ligação à Cooperação Internacional, com intervenções na Guiné-Bissau, em São Tomé, em Angola, na República Democrática do Congo e no Zimbabué, vivendo missões de desenvolvimento e também de emergência humanitária.
Depois da passagem pelo Alto Comissariado da Saúde, em 2009/2010, na Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA, área da Cooperação, assumiu a Direção Geral do ISU – Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária em 2011/2013.
Desde 2015, colabora com o IHMT em projetos de Cooperação e de Investigação em Saúde Internacional.
Em maio de 2014, assumiu na AESE Business School a direção do GOS – Programa de Gestão de Organizações Sociais; é  teaching fellow na área de Fator Humano na Organização e integra a equipa de coaching.
É casada e mãe.

Américo Baptista

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Nota biográfica: Licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e Doutor em Ciências Biomédicas, especialidade Psicologia, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Psicólogo clínico no Hospital Júlio de Matos até 1994. Professor na Escola de Psicologia e Ciências da Vida. Coordenador clínico da Escola Social O Companheiro. Membro da Ordem dos Psicólogos e Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. Membro fundador da Associação Portuguesa de Sexologia Clínica e da Associação Portuguesa de Terapia do Comportamento, da qual foi presidente. Psicoterapeuta supervisor pela Associação Portuguesa de Terapia do Comportamento. Diretor da Clínica Psicológica de Desenvolvimento Humano e do programa de desenvolvimento da Inteligência Emocional, Inteligência Social e da Positividade ao longo da vida, Mente Ativa. Autor de um conjunto vasto de artigos científicos acerca das emoções, do comportamento sexual, da conjugalidade e da psicologia positiva. Autor dos livros O Poder das Emoções Positivas, 2012; Aprender a Ser Feliz. Exercícios de Psicologia Positiva, 2013; O Futuro da Psicoterapia. O que Todos Deviam Saber Sobre os Tratamentos Psicológicos, 2016; e Longevidade com Felicidade. Como Manter Um Corpo São e Uma Mente Feliz, 2017.

Título da conferência: O burnout e a felicidade. O que é, como se trata e como se previne

Resumo: O esgotamento emocional, vulgarmente designado por burnout ou síndrome de burnout, pode ser definido por um conjunto de sintomas físicos e emocionais, com características ansiosas e depressivas, causados por situações de stresse prolongado. Está habitualmente associado a atividades exigentes que implicam uma responsabilidade excessiva, como as dos estudantes em graus avançados de ensino, dos profissionais de saúde, de educação ou forças militares e de segurança. Ocorre em situações onde existe uma sobrecarga exagerada e em que predominam os sentimentos de incapacidade de responder às exigências. Quando estas situações se prolongam ou não se percebe como podem terminar, instala-se uma diminuição generalizada do interesse e da motivação.
O tratamento pode implicar duas vertentes, a farmacológica e a psicológica. A farmacológica tem como alvo a diminuição dos sintomas de mal-estar emocional, nomeadamente as perturbações no sono, as alterações do humor, as alterações no apetite, gastrointestinais e cardíacas. A psicológica tem com alvo a modificação do modo de funcionamento psicológico que dá origem aos sintomas de mal-estar, nomeadamente os estilos para lidar com situações complexas ou de stresse.
Finalmente, são abordadas as estratégias de prevenção, isto é, como evitar que se possa entrar em situações de exaustão emocional. Aqui são importantes os programas que ajudam a desenvolver uma vida feliz e realizada. É realçada a utilidade destes últimos, porque a ênfase no bem-estar e felicidade tem um conjunto enorme de vantagens. Em primeiro lugar, faz com que o rendimento aumente entre 10% e 12%; em segundo lugar, faz com que não se desencadeiem os sintomas de exaustão emocional, melhorando a qualidade de vida; e finalmente, realiza o objetivo último de todas as pessoas, conseguir atingir os sentimentos de felicidade e realização.

Ana Elísia da Costa

Nota biográfica: Arquiteta, mestre e doutora em Teoria, História e Crítica da Arquitetura. Professora e pesquisadora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente desenvolvendo pós-doutoramento em Urbanismo junto ao ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Título da comunicação: O que vai acontecer aqui?

Resumo: «O que vai acontecer aqui?» tem múltiplos sentidos: remete às placas que a municipalidade de Lisboa fixa nos edifícios espalhados pela cidade que estão sujeitos à reabilitação de usos; também é o título do documentário sobre gentrificação de Left Hand Rotation apresentado no DOC Lisboa 2019; mas aqui tomamos como título deste artigo sobre o limite entre «o desenvolvimento urbano produzido pelo capital» e o «processo de gentrificação social» derivado deste. Abordar este tema, limite, significa pensar as fronteiras entre um eu-mundo implicado nas relações entre formal-informal das cidades contemporâneas. Os relatos apresentados nesse documentário apresentam em si uma contradição – estabelecem fronteiras e pontes entre a cidade formal e informal. Ao narrar e dar visibilidade às histórias dos moradores, de seus lares subtraídos, mostra as fronteiras da cidade capitalista, mas, ao mesmo tempo, tensiona tais fronteiras, revelando movimentos de (re)apropriação da cidade e sua rede complexa de espaços sociais e físicos, operando sempre num limiar de sonhos e de medos. Este artigo se insere nesta problemática, a partir das noções de estética/política em Jacques Rancière, tomados aqui como modo de experienciar o mundo que se apresenta como «partilha do sensível» – ou seja, incluindo e excluindo simultaneamente. Essa noção de estética/política está para além de uma abordagem estetizada da realidade, pelo contrário, se apresenta como um compromisso ético em relação aos modos de fazer, sentir e pensar a cidade hoje no seu modus operandi – estamos entre o sonho daqueles que buscam uma nova condição de habitar (os novos moradores) e o medo de expulsão daqueles que tentam se manter na sua antiga condição de habitar (os moradores); realidade essa quase impossível de apresentar, pois não estamos diretamente envolvidos como moradores da área. Portanto, propomos uma sobreposição de olhares. O texto se organiza por linhas de um rizoma, como diria Deleuze. Por uma linha, representamos o olhar do documentário; por outra, vivenciando a área a partir de uma experiência artística; e um terceiro olhar de quem compreende o facto pela área de atuação (arquitetura e urbanismo). O que propomos, por fim, é uma reflexão sobre essa realidade urbana com pauta na habitação que passa atualmente Lisboa, mas que é um problema global. Poderíamos, então, reescrever o título: o que está acontecendo aqui?

Ana Lúcia Silva

Nota biográfica: Discente no curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aluna participante do Projeto de Gestão e Inovação da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil. Funcionária administrativa no Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark, Rio de Janeiro – Brasil.

Título da comunicação: Atendimento à pessoa ostomizada: um estudo sobre o processo

Resumo: No decorrer da vida, pessoas ditas «normais» ou saudáveis podem ter sua saúde funcional perturbada, comprometida por acidentes e/ou doenças crônicas, e, assim, carecerão de reabilitação. Neste contexto, se inserem as pessoas ostomizadas, de forma a tornarem-se aptas a realizar suas atividades, minimizando o comprometimento de sua qualidade de vida.
O paciente ostomizado foi submetido a um procedimento cirúrgico que consiste na abertura de um órgão oco, como o intestino. Assim, é realizado um estoma – abertura ou orifício feito na parede abdominal por meio de colostomia, ileostomia, etc. Nesses casos, é utilizada uma bolsa de colostomia para o recolhimento das fezes.
A vida das pessoas com ostomia pode sofrer profundas mudanças. O ostomizado passa por alterações drásticas em relação à apresentação do seu corpo, em suas práticas, em suas experiências, no relacionamento familiar, no relacionamento sexual e nas relações sociais que afetam o trabalho e o lazer, repercutindo na sua autonomia. 
No Brasil, a portaria SAS/MS n.º 400, de 16/11/2009, estabelece diretrizes nacionais para a atenção à saúde das pessoas ostomizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde. Portanto, os Serviços de Atenção às Pessoas Ostomizadas são unidades de saúde especializadas para assistência às pessoas com estoma, que são consideradas portadoras de deficiência física. Esses serviços desenvolvem ações de reabilitação que incluem: orientações para o autocuidado, prevenção e tratamento de complicações no estoma, capacitação de profissionais e o fornecimento de equipamentos coletores e de proteção e segurança (bolsas coletoras, barreiras protetoras de pele sintética, coletor urinário).
O estudo tem por objetivo discutir os processos de atendimento do setor de reabilitação na dispensação de equipamentos coletores e apurar quais os fatores internos e externos, do setor, que podem alterar a frequência do paciente (faltas e antecipações) para a dispensação da bolsa de ostomia. Os processos são estudados, analisados e documentados, através da metodología Business Process Managemant (BPM), de forma a promover maior qualidade de vida para o paciente ostomizado, a partir da melhoria contínua dos processos de atendimento do setor de reabilitação. 
A pesquisa é qualitativa e, a partir de estudo de caso, desenvolve a modelagem de processos do setor de reabilitação no atendimento de dispensação de equipamentos coletores nas instituições públicas de saúde, no Brasil.
Conclui-se com uma avaliação da relevância dos avanços das políticas públicas nas instituições públicas de saúde, no Brasil.

Ana Lúcia Tojal

Nota biográfica: Nasceu em Pernambuco e reside em Alagoas, região do nordeste do Brasil. Assistente social e professora, ministra as disciplinas Ética, Políticas Sociais e Saúde Coletiva nos cursos de Serviço Social e Medicina do Centro Universitário CESMAC de Maceió e coordena projetos de extensão académica e pesquisa social na área da saúde pública. Especialista em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde, mestre em Ensino da Saúde pela Universidade Federal de Alagoas e doutoranda em Estudos Globais pela Universidade Aberta de Lisboa. Atua há 30 anos no controle social das políticas públicas de Assistência Social e da Saúde no país. Membro do Fórum Nacional em Defesa da Seguridade Social Brasileira e assessora voluntária do Movimento Nacional de População de Rua.

Título da comunicação: População em situação de rua como fenómeno global: Proposta para a superação dos limites da invisibilidade social no caso Brasil

ResumoEm 2015, o Conselho de Direitos Humanos da ONU apontou a situação de rua como uma crise global e denunciou a incapacidade dos governos de dar respostas a essa questão, defendendo que seja tratada como prioridade na agenda universal das políticas socioeconómicas, de planeamento e desenvolvimento. Embora pessoas vivendo na rua não seja um fenómeno novo, a intensificação de fluxos migratórios, o aumento das desigualdades sociais, o crescimento do desemprego e do trabalho precarizado, o esgarçamento das relações sociais e da solidariedade potencializam esse fenómeno em escala global, com um aumento significativo de pessoas vivendo nas ruas dos centros urbanos, tanto de países periféricos como de países ricos. Essa comunicação pretende trazer a discussão dos limites ao desenvolvimento humano diante da invisibilidade social, termo utilizado por diversos autores para conceituar um segmento populacional que é ignorado pela sociedade porque se encontra a margem das relações sociais e de mercado. São os «sobrantes», «rejeitados» e «sem utilidade social». É nesse espetro que se situam as pessoas que fazem da rua espaço de moradia ou sobrevivência. Essas pessoas, embora tenham em comum a pobreza e o desenraizamento, possuem histórias de vida diversas e lidam quotidianamente com as barreiras de um sistema que as exclui socialmente e as marginaliza das políticas públicas. Indo além de discutir esses limites, o presente estudo, baseado nas pesquisas que vêm sendo desenvolvidas nessa área, pretende trazer para o debate as estratégias de superação que estão se desenhando em face aos inúmeros problemas enfrentados por esse grupo populacional. Tem um foco particular na emergência dos movimentos de População em Situação de Rua no Brasil e como tal processo se converteu numa experiência humana de resistência coletiva ao preconceito, à miséria, à fome e à violência, tornando-os sujeitos com capacidade de reclamar a adoção de medidas de proteção social, que culminou na instituição, em 2009, da Política Nacional para a População em Situação de Rua, com a implantação de equipamentos sociais na área da saúde e assistência social em todo país. Embora sob ameaça de perda de conquistas sociais no atual cenário brasileiro, a rutura com a segregação social tem provocado um processo organizativo contra-hegemónico, que merece a atenção das ciências sociais e humanas. Fazer esse debate também é uma possibilidade de contribuir para ampliar a visibilidade desse segmento populacional para além das fronteiras nacionais e de certa forma resistir.

Anabela Martins Coutinho

Nota biográfica: Licenciou-se em Ensino de Português e Francês pela Universidade de Aveiro e concluiu o mestrado em Línguas, Literaturas e Culturas, variantes Estudos Portugueses, também pela Universidade de Aveiro, em 2012. É doutoranda no Programa Doutoral em Estudos Literários pela Universidade de Aveiro. É professora de PLE, Oficina de Escrita e Práticas de Oralidade no Departamento de Línguas da UA, onde exerce funções letivas desde 2010. No UINFOC da UA, leciona Português Académico desde 2012. No Porto, é professora de Português e Francês do 3.º ciclo e ensino secundário.

Título da comunicação: O olhar nostálgico do (não) retorno, de Dulce Maria Cardoso

Resumo: Dulce Maria Cardoso afirma-se pela diferença, sendo uma «mulher que transforma o sentimento de mal-estar em ficção (…), altamente sensível e comprometida com as causas sociais que envolvem a sociedade da qual faz parte» (Machado, 2014: 96).
A carreira literária desta escritora tem sido marcada por uma grande harmonia temática. O quotidiano impõe-se como um dos temas usados para a exploração da natureza do ser humano, no que ele tem de mais construtivo e corrupto, mas também de mais obsessivo e desorientador. A sua escrita alcança, com rigor, as desiguais marcas linguísticas do falar das gentes portuguesas.
No romance O Retorno, Dulce Maria Cardoso tece, de forma ténue ou de maneira bem explícita, vários traços que lhe são peculiares: a viagem, neste caso, sem regresso, a figura masculina em mutação, a política portuguesa decadente, a ditadura dos anos 70 e pós-colonialismo. Há toda uma envolvência entre a figura masculina e a natureza envolvente.
Esta obra é narrada na primeira pessoa, focando o regresso forçado de alguns milhares de portugueses vindos de África, depois do 25 de Abril. Rui, narrador protagonista, é expulso da terra que reconhece como sua, conhece um sítio – a metrópole portuguesa – e nele aprende a viver, a crescer e adaptar-se a um mundo que tem de aprender a gostar.
Dulce Maria Cardoso oferece-nos um cenário humano menos utópico onde são concebidas representações diversas dos mediadores na dinâmica pós-colonial. São produzidas imagens distintas das relações sociais e humanas entre as personagens da metrópole e de África.

António Fernandes

Nota biográfica: Natural da Guarda, é licenciado em Teologia pela Pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá, com o trabalho de licenciatura En el Camino en la Formación de la Fe: Hacia Una Catequesis Evangelizadora.
Investigador de mestrado, no Hospital de Vila Franca de Xira, com um projeto no âmbito do mestrado de Sociologia, para o estudo do tema: Como se relacionam as diferentes gerações na família em ambiente familiar.
Formado em Mediação familiar pelo Instituto Português de Mediação Família.
Cofundador do Serviço de Ação e Reflexão e Educação Social em Manaus, Amazonas.
Com vasta experiência na coordenação e gestão de equipas multidisciplinares e multiculturais no âmbito social, cultural, educativo e religioso em países como o Brasil, Itália e Portugal, e no desenvolvimento e na implementação de projetos nas áreas da saúde, da educação, social e intercultural na Amazónia brasileira.

Título da comunicação: Em busca do sem (limites) com sentido

Resumo: A não existência de limites na busca do sentido da vida. A força do sentido para derrubar barreiras, construir caminhos, dar sentido à vida. Haverá limites na procura do sentido da vida? Projetos de vida que irrompem e destroem muros que sem (limites) potenciam a alteridade e dignificam o ser humano.
Viver a existência no limite dos limites, com sentido, sem (limites), na busca constante do sentido sem (limite).  

António João Maia
 
 
Nota biográfica: Doutor em Ciências Sociais na especialidade de Administração Pública, pela Universidade de Lisboa / Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, com a dissertação Fatores Organizacionais Explicativos da Corrupção, defendida em 2015. 
Professor Auxiliar Convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas para a cadeira de Ética da Administração Pública.
Vice-presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
Investigador criminal dos quadros da Polícia Judiciária.
Em exercício de funções no Conselho de Prevenção da Corrupção.
 
Título da conferência: Integridade na vida pública – a corrupção como fator limitador do desenvolvimento
 
Resumo: O Estado é uma entidade estruturante na preservação dos valores coletivos mais profundos em qualquer sociedade. A ética e a integridade são fatores de primordial importância na gestão do Estado. Por isso devem ser particularmente assegurados por quem exerce funções de natureza pública. Será a partir desta perspetiva que propomos uma reflexão sobre o problema da corrupção e os seus efeitos sobre a governação pública e sobre a gestão das expectativas sociais quanto à importância e validade desse mesmo acervo de valores coletivos. 
Bruno Venâncio
 
Nota biográfica: Nasceu em Lisboa, em 1978, concluiu o doutoramento no Departamento de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa em 2016. É membro integrado do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa e membro colaborador do IEF – Instituto de Estudos Filosóficos, da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação incidem nas relações entre a filosofia e outras áreas que com ela apresentam afinidades, em especial a literatura.
 
Título da comunicação: Limites da linguagem: a perplexidade de Lord Chandos
 
Resumo: Talvez todos nós já tenhamos passado por situações de perplexidade, espanto ou estupor nas quais as palavras parecem incompetentes para descrever a situação por que passamos; somos apenas capazes de dizer que estamos sem fala ou sem palavras, com isso querendo significar que as palavras ficam aquém de descrever o que se passa ou o que se sente, não são suficientes, são superficiais, vazias ou até inúteis. Ao que parece, há situações na vida em que a linguagem mostra que é um território finito, em que fica à vista que tem fronteiras e, mais do que isso, que há um território estrangeiro para lá das suas fronteiras. Recuperamos a tranquilidade notando que essas são situações singularesi.e., são situações que, apesar de frequentemente dizerem respeito a momentos significativos, em que está em causa algo de fundamental, que nos toca de muito perto, etc., são também situações isoladas, avulsas, raras, das quais rapidamente se sai e antes e depois das quais a linguagem expõe a sua eficácia. Ora, o problema de Lord Chandos é estranho e inquietante porque o que parece estar em causa é a denúncia de que este problema não se limita a estas situações isoladas, mas, bem vistas as coisas, se estende a toda a linguagem; quer dizer: a perplexidade, o espanto ou o estupor em que Lord Chandos se encontra põe-nos perante a inquietante possibilidade de uma análise cuidada revelar que toda a linguagem é, no fundamental, pela sua natureza, igualmente ineficaz para captar o que de cada vez e a todo o momento se passa connosco e que todas as palavras, todos os léxicos e quadros concetuais que usamos ficam igualmente aquém de cumprir o que prometem – são insuficientes, superficiais, vazios ou até inúteis. 
Carlos Daniel

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Nota biográfica: Nascido em 1970, em Paredes, Carlos Daniel é pivô do Jornal da Tarde da RTP e comentador desportivo.
Licenciado  em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, iniciou a sua carreira de jornalista na Rádio Comercial, em 1989. Passou para a TSF, onde fez relatos de futebol, e em 1991 ingressou na RTP como pivô de vários espaços informativos. Nove anos mais tarde, transferiu-se para a SIC, onde esteve até 2001. Regressou à RTP, onde foi subdiretor de Informação entre 2001 e 2006 e diretor adjunto da RTP N entre 2008 e 2010.

Catarina Mesquita

Nota biográfica: Catarina Mesquita é Mestre em Estudos Portugueses Multidisciplinares. Como formação de base, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante em Estudos Portugueses e Ingleses, Ramo Educacional. Possui ainda uma sspecialização em Linguística Portuguesa Aplicada ao Ensino e o Certificate of Proficiency in English, pela Universidade de Cambridge. Desempenha o cargo de assistente convidada na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Instituto Politécnico do Porto, no departamento de Humanidades, lecionando cadeiras da área de Inglês. Possui experiência de 17 anos no ensino público e privado, sendo autora de dezenas de artigos na área da educação/formação. Atualmente, frequenta o Doutoramento em Estudos Globais, na UAB.

Título da comunicação: O ensino e a aprendizagem da língua inglesa como língua estrangeira na era da globalização: o caso português

Resumo: O presente trabalho debruça-se sobre a temática da importância da aprendizagem da língua inglesa na era da globalização. Na verdade, é hoje evidente que muitos alunos portugueses chegam ao ensino superior e, posteriormente, ao mercado de trabalho, com lacunas como falantes de inglês – língua estrangeira, o que pode comprometer oportunidades de trabalho e outras vivências pessoais. Que estratégias poderão então ser seguidas para melhorar a relação dicotómica ensino-aprendizagem da língua inglesa, no contexto dos estabelecimentos de ensino portugueses?
Assim, em primeiro lugar, pretende-se apresentar uma pequena introdução sobre a importância crescente que a língua inglesa tem adquirido à escala global, salientando as áreas em que essa relevância é evidente. 
De seguida, pretende efetuar-se uma reflexão sobre a forma como a língua inglesa como língua estrangeira tem sido abordada nos variados níveis de ensino em Portugal, apresentando as falhas mais evidentes, tanto do ponto de vista do ensino, como da aprendizagem.
Por fim, procura-se apresentar soluções para colmatar as falhas encontradas, tendo em conta a importância que a aquisição de conhecimentos da língua inglesa adquire no mundo global, de forma a que os alunos de hoje possam adquirir competências sólidas nesta área, tendo em consideração que o mercado de trabalho dos dias de hoje é pensado noutra escala, como cidadãos do mundo.

Cátia Almeida

Cátia Almeida é uma das coordenadoras em Portugal e formadora.

Nota biográfica: Pedopsiquiatra no Centro Hospitalar Tondela-Viseu e na Casa de Saúde São Mateus, coordenando nesta o Centro do Neurodesenvolvimento. Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina de Lisboa (2010). Pós-Graduação em Saúde Mental, Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (2012). Curso de Sensibilização à Terapia Familiar Sistémica, Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (2013). Pós-Graduação em Análise de Dados Quantitativos para as Ciências da Saúde, Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (2014). Pós-Graduação em Neurodesenvolvimento em Pediatria, pelo Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (2015).  
Líder de Pais do Programa Anos Incríveis, um programa de parentalidade positiva, no qual trabalha com grupos de pais. Monitora e coordenadora nacional do Programa Protege o Teu Coração, um programa de educação da sexualidade, desde há 9 anos, tendo realizado centenas de sessões para adolescentes, crianças, pais e professores neste âmbito. Colaboradora do FertilityCare, um sistema educativo e uniformizado de saúde ginecológica e procriativa, no âmbito da qual trabalha com adolescentes na promoção de uma saúde integral e responsável, desde 2015. Colaboradora da Associação Mentes Sorridentes, que se dedica à implementação de estratégias de Mindfullness em meio escolar, desde 2015.

Título da conferência: Adolescente… até quando?

Cecília Carmo

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Nota biográfica: Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, esteve quatro anos no Expresso, durante os quais começou a colaborar com a RTP, onde foi jornalista, coordenadora, editoa executiva e subdiretora. 
Passou dois anos e meio a coordenar o canal do Comité Olímpico de Portugal, durante os quais foi a diretora de comunicação do COP.
Atualmente, é produtora editorial no canal da Federação Portuguesa de Futebol.

Cristiana Lucas Silva

Nota biográfica: Formada em Estudos Clássicos, é investigadora doutorada no Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL), tendo participado em inúmeros projetos nas áreas da História e Cultura portuguesas, bem como na organização de encontros científicos, com destaque para o International Congress Ideas of/for Europe (2009), Congresso Internacional Ordens e Congregações Religiosas em Portugal: Memória, Presença e Diáspora (2010), Congresso Internacional Cultura(s) em Negativo: Antis, Mitos negros e Mudança Social (2015), Congresso Internacional Um Construtor da Modernidade: Lutero — Teses — 500 Anos (2018). Concluiu em 2018 o seu doutoramento em História Contemporânea, com uma tese intitulada A Ideia de Estrangeiro na Cultura Portuguesa (1750-1850): Identidade Nacional em Confronto, e tem focado a sua investigação no estudo do conceito de estrangeirado. Desempenha, no CLEPUL, as funções de chefe de redação da revista Letras com Vida — Revista de Literatura, Cultura e Arte e de coordenadora editorial da e-Letras com Vida — Revista de Humanidades e Artes. É assessora da direção da Cátedra Convidada FCT Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (CIDH-UAb/CLEPUL-FLUL), no âmbito da qual presta assessoria à coordenação do Doutoramento em Estudos Globais. Destaca-se as seguintes publicações: Silva, C. (bo prelo). Imaginar o Estrangeiro em Portugal: Ideias, Estereótipos e Mitos. Lisboa. Gradiva; Silva, C. (2018). «Antiestrangeiro», in Franco, J. E. (dir.). Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo. Vol. II. Lisboa, INCM: 2044-2048; Silva, C. (2018). «Estrangeirados», in Franco, J. E. (dir.). Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo. Vol. II. Lisboa. INCM: 2014-2054; Silva, C. (2017). «O conceito sergiano de “estrangeirados” no contexto da polémica saudosista», in Carvalho, S. (dir.). Teixeira de Pascoaes. Vol. II: A Arte de Ser Português e a Renascença Portuguesa. Lisboa. Edições Colibri: 161-171; Silva, C. (2014). «O anti-ultramontanismo ou as ordens vistas como “estrangeiras” no ideário anticongreganista de afirmação nacionalista: representações na cultura portuguesa», in Franco, J. E., Abreu, L. M. (coords.). Para a História das Ordens e Congregações Religiosas em Portugal, na Europa e no Mundo. Vol. II. Prior Velho. Paulinas. 433-447.

Título da comunicação: Quando o estrangeiro se faz próximo: louvores e clamores em torno do estrangeiro na cultura portuguesa

Resumo: Partindo da hipótese de que a identidade nacional se constrói numa dinâmica de confronto, proceder-se-á ao estudo das representações do Estrangeiro na cultura portuguesa, tendo em consideração que, dependendo das circunstâncias histórias em que os discursos são formulados, o Estrangeiro pode ser encarado como o inimigo a combater ou o modelo a emular. Pretende-se, assim, compreender as motivações por detrás das formulações míticas e estereotipadas acerca desse Estrangeiro e demonstrar como a noção de estrangeiro formulada na e pela cultura portuguesa pode ser interpretada a partir de uma estrutura de ressentimento, na senda das proposta hermenêutica de Marc Ferro. Compreender-se-á que a ambivalência das representações do «estrangeiro próximo» foi impulsionadora de ressentimento, explicado quer pela perceção do «estrangeiro» como o «olhar que nos ignora» quer pela sensação de desengano estimulada em determinados momentos de crise, criadores de trauma, quando esse estrangeiro que antes fora objeto de um «olhar fascinado» ameaça a autonomia e a identidade nacionais.

David Marçal

David Marçal

Nota biográfica: Comunicador e gestor de ciência. Doutorado em Bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa (2008). Foi cientista na Hovione FarmaCiência e investigador em bioquímica estrutural no Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa. Autor de Inimigo Público, redator da revista Kulto e jornalista de ciência no jornal Público (no âmbito do programa Cientistas na Redação). Coordenador dos Cientistas de Pé, um grupo de stand-up comedy formado por investigadores científicos. Autor de várias peças de teatro e programas de televisão sobre ciência. Coautor, com Carlos Fiolhais, dos livros Darwin aos Tiros e Outras Histórias de Ciência (Gradiva, 2011), Pipocas com Telemóvel e Outras Histórias de Falsa Ciência (Gradiva, 2012) e A Ciência e os Seus Inimigos (Gradiva, 2017). Coordenador do livro Toda a Ciência (Menos as Partes Chatas) (Gradiva, 2013) e autor do ensaio Pseudociência (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014) e do livro Cientistas Portugueses (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2019).
Ganhou o Prémio Químicos Jovens 2010 (da Sociedade Portuguesa de Química), o Prémio Ideias Verdes 2010 (da Fundação Luso e do Jornal Expresso) e o Prémio COMCEPT 2014 (da Comunidade Céptica Portuguesa).

Título da conferência: A linha que separa a ciência da pseudociência

 

Diogo Morais Barbosa

Nota biográfica: Mestre em Filosofia Medieval pela Universidade Nova de Lisboa e doutor na mesma área pela Universidade de Coimbra. Ambas as teses estão publicadas, sendo a primeira acerca da noção de amor segundo o filósofo franciscano Duns Escoto (Fundação Eng.º António de Almeida, 2012) e a segunda acerca das noções de transcendência e sede de infinito segundo Agostinho de Hipona (Principia, 2019). 
Os seus principais interesses são, no âmbito académico, a antropologia filosófica e a ética e, no âmbito cultural, música e todos os géneros de livros, de ficção e de não ficção. Não será por acaso que, em paralelo com a área académica, trabalhou três anos na produção e revisão de todos os livros da Quetzal Editores.
É casado e tem dois filhos.

Título da comunicação: Limites e potencialidades da natureza humana segundo Agostinho de Hipona

Resumo da comunicação: No curso de um qualquer dia entre os dias da nossa vida, experimentamos de várias formas o facto de sermos muito pouca coisa, isto é, as nossas limitações. Ao mesmo tempo, não só desejamos ser mais do que aquilo que somos aqui e agora como, na verdade, fazemos a experiência das potencialidades abertas pela nossa razão e pela nossa vontade. 
Procurar-se-á mostrar que o pensamento sobre estes dois tipos de experiência (a das nossas limitações e a do desejo em alguma medida alcançável de sermos cada vez mais e melhor) pode exceder a constatação simplista de que estamos perante um paradoxo. Pode, no fundo, abrir as portas a uma compreensão abrangente da nossa natureza complexa – a partir da qual perceberemos, por exemplo, que só nos experimentamos como limitados porque podemos ser mais do que essas limitações. 
A abordagem terá como fio condutor a proposta de um dos maiores pensadores de todos os tempos: Agostinho de Hipona, mais conhecido por Santo Agostinho.

Hélder Telo

Nota biográfica: Doutorou-se em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa (2018) com uma tese sobre a crítica de Platão à vida não examinada. Realizou uma parte da sua investigação doutoral na Albert-Ludwigs-Universität Freiburg (onde integrou o Centro de Pesquisa Colaborativa 1015 Muße/Otium) e no Boston College. É membro do IFILNOVA, onde integra o grupo de investigação Ars Vivendi. A sua principal área de atividade é a filosofia antiga (Platão, Aristóteles e estoicos), mas trabalha também sobre Scheler, Heidegger e Foucault. Os seus interesses incluem temas como o desejo de verdade, a metafilosofia, o cuidado de si e de outros, a intersubjetividade e as emoções. Coeditou o livro In the Mirror of the Phaedrus (Academia, 2013) e publicou recentemente textos sobre a autobiografia em Heidegger, a intersubjetividade em Scheler e o cuidado de outros no Alcibíades I de Platão.

Título da comunicação: Limites e limitações da amizade segundo Aristóteles

Resumo: Esta comunicação visa mostrar que, segundo Aristóteles, a amizade ajuda a superar limites e limitações de cada ser humano, mas tem também os seus próprios limites e limitações – de modo que a consideração da amizade e da sua relação com limites e limitações permite perceber melhor a finitude e as possibilidades fundamentais do ser humano enquanto tal. 
A superação ou expansão, por meio da amizade, dos limites individuais ocorre de diversos modos. Por exemplo, a amizade permite alcançar mais e maiores bens do que aqueles que alguém obteria só por si. Isso é evidente nas três formas de amizade que Aristóteles identifica – a saber, a amizade com base no que é útil ou vantajoso, a amizade com base no prazer e a amizade com base na virtude. Além disso, a descrição que Aristóteles faz da amizade mostra que a amizade implica uma certa anulação da alteridade do outro, na medida em que os amigos se assemelham entre si (sendo que, no caso das amizades com base na virtude, os amigos são mesmo vistos como um outro si). 
No entanto, a despeito de todo o enriquecimento que traz à vida, a amizade tem também limites insuperáveis. Isso é óbvio no caso das amizades com base no vantajoso e no prazer, uma vez que estas estabelecem uma relação superficial com os outros e facilmente se rompem. Já a amizade baseada na virtude implica uma maior intimidade ou um maior acesso aos outros (na medida em que envolve concórdia, ação em comum, preocupação com o bem do outro, sentir os mesmos prazeres e sofrimentos, etc.) e é também mais resistente e duradoura. Contudo, segundo Aristóteles, esta amizade tem os seus próprios limites ou limitações: ela é rara e «paroquial» (sobretudo porque requer muito convívio para se desenvolver e para se manter); é elitista (estando só ao acesso de pessoas que tenham desenvolvido virtudes éticas e intelectuais); está exposta à possibilidade de um dos amigos perder a sua virtude ou morrer (o que levaria ao fim da relação de amizade); e implica uma benevolência limitada (na medida em que não se deseja os maiores bens ao amigo, como o tornar-se um deus, mas sim bens próprios do ser humano). 
Nesta comunicação, estudar-se-á o significado destas limitações e considerar-se-á brevemente a forma como foram criticadas ao longo da história da filosofia (tanto no pensamento estoico e cristão, quanto por autores contemporâneos como Derrida e Nehamas), de modo a determinar a validade e os limites da compreensão aristotélica da amizade.

Isabel Nunes

Nota biográfica: Realizou mais de quatro dezenas de exposições individuais, em Portugal e no estrangeiro.
Agraciada com o prémio FEMINA 2016 por mérito nas Artes Plásticas e Visuais, e em 2017 recebe o prémio de Arte e Cultura da revista FRONTLINE.
Encontra-se representada em coleções privadas e públicas, em Portugal, Macau, Reino Unido, Finlândia, Alemanha, Itália e, nas coleções da Autoridade Monetária e Cambial de Macau, Estação de Tratamento de Águas Residuais de Macau, Internacional School of Art (Itália), Câmara Municipal de Lisboa, Missão de Macau em Lisboa, Museu da Água da EPAL, Câmara Municipal de Vendas Novas, Câmara Municipal de Portimão, Câmara Municipal de Setúbal, BP Portugal, Câmara Municipal de Mafra, Palácio da Bolsa (Porto), sede do Banco Finantia (Lisboa), Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade (Fundão), Fundação Nacional do Museu Ferroviário (Entroncamento), Instituto Português do Oriente (Macau) e na coleção de Suas Santidades, o Papa Emérito Bento XVI e o Papa Francisco (Vaticano).
Está antologiada nas obras Artistas Contemporâneos de Macau, Fundação Oriente, Macau (1994); Dez Anos de Arte – Retrospetiva da coleção da EPAL, edição do Museu da Água da EPAL, Lisboa (1998); Macau – Século XX: Dicionário de Artistas Plásticos (volume I), edição Fundação Oriente, Lisboa; Isabel Nunes – Um Percurso na Pintura e na Vida, editora Caleidoscópio, Lisboa (2003); dicionário Arte no Feminino – Quem É Quem na Pintura Portuguesa no Século XXI, Produções Anifa Tajú, Lisboa (2007); Florbela Espanca na Pintura de Isabel Nunes, editora Caleidoscópio, Lisboa (2018).
Escreveram sobre a sua obra, Fernando António Baptista Pereira, Rocha de Sousa, Ana Duarte, Margarida Marques Matias, Carlos Marreiros, Fernando Conduto, Fernando Dias, Fernando Guedes, Afonso de Almeida Brandão, Luísa Soares de Oliveira, Isabel Lousada e Nuno Júdice.

Título da apresentação: Para além do limite, a libertação

Esquema: Introdução: Quem é o artista; como se define «imite».
Apresentação da pessoa e da artista:
-Do ponto de vista pessoal a minha necessidade de agarrar o lado positivo e o seu lado construtivo. A vida por vezes difícil e a importância que desempenha o lado positivo para ultrapassar limites e dificuldades.
-O artista pode contribuir para mudar o mundo de duas maneiras: De forma explosiva, podendo ser arrebatador, polémico e conflituoso; ou de forma afirmativa e profunda permanecendo a sua mensagem através do tempo, e é nesta linha que me situo.
Do ponto de vista artístico, considero que o artista deve estar um passo à frente da sua época e, numa fase em que vivemos a Guernica ao vivo e a cores através dos meios de comunicação, devemos estar para além e essa forma de ultrapassar estes limites é através da construção. Theaster: «O verdadeiro poder do artista é a capacidade de mudar o mundo», in Somos Todos Artistas.
Como tenho construído esse caminho:
Associando a vertente estética da arte à vertente cultural, através de temas e conteúdos que levam as pessoas a desfrutar do belo e ao mesmo tempo captar aspetos históricos e culturais que fazem parte do nosso património.
Ex: Exposições Águas Livres; Lisboa Entre Tempos; Referências do Tempo que Passa; A Geração de 500; «Isto é o Meu Corpo»; Entre…Tanto, Florbela; Crer, Imagens de Uma Aventura; Do Ocidente ao Oriente; Diálogos; Skin of Time; Fado.
Do ponto de vista técnico, o meu percurso e a minha forma de trabalhar: desafio, luta, persistência.
Trabalhos que escolho para exemplificar e com eles abordar os aspetos técnicos e o ultrapassar de limites:
Quadro que executei para a Companhia BP
Credo
Retrato Cristo da Última Ceia
A Geração de 500 (breve alusão).

João Emanuel Diogo

Nota biográfica: Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, membro do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da mesma Universidade. Publicou entre outros Transparentes: Tópicos para Uma Teologia Secular, Epicuro a Tranquilidade da Prudência, Atomismo Ético de Leucipo e Demócrito, Cartografia da Humanidade: o Corpo em Homero.

Título da comunicação: Posso escolher o meu fim? A eutanásia e a ética dos limites

Resumo: Nesta comunicação, gostaríamos de refletir sobre o limite último: a morte, e neste caso, a morte a pedido.
É nosso entendimento que, em grande medida, a discussão pública da eutanásia tem estado invertida: é certo que há aspetos da medicina e do direito que teremos sempre de abordar. No entanto, antes de esses aspetos poderem ser debatidos, há um aspeto necessariamente filosófico, que os permite e enquadra: que conceção de homem temos? Dessa conceção decorre que cada um de nós deve poder escolher quando morrer?
Assim, abriremos uma discussão entre duas posições sobre o homem, uma propriamente ontológica, centrada no conceito de ser, e outra existencialista, centrada no conceito de estar. Estas duas posições revelam dois homens diferentes, e determinam escolhas legais diferentes. Que poderão elas dizer quando falamos de doença, de incapacidade total, da dor (física e psíquica) e da estrutura social que daí extraímos?
Ainda que herdeiros de duas linhas de pensamento marcadamente idealistas – a ontologia e o pensamento judaico-cristão –, procuraremos pensar aquém de qualquer delas, isto é, sublinhando o carácter imanente, corpóreo, eventual do humano, em que autonomia e liberdade são os pilares de qualquer escolha, mesmo quando é uma escolha social.
É a partir dessa interpelação que passaremos em revista alguns dos problemas levantados pela eutanásia, e neles os problemas biomédico-legais que hoje se debatem. Abordaremos alguns mitos que têm alguma difusão e que necessitarão enquadramento e resposta.
Sublinharemos aqui três problemas que a eutanásia tende a levantar: em primeiro lugar, a eutanásia de doentes terminais, em segundo a eutanásia de doentes de algum tipo de demência, e por fim, a eutanásia de doentes mentais. Todos estes momentos, com as suas problemáticas próprias, trarão informações que nos conduzirão a uma escolha mais informada.

Título da comunicação: Nos limites do humano? A Segunda Guerra e os homens banais

Resumo: Pensar a Segunda Guerra Mundial implica pensar em dois tipos de guerra. A primeira, a que podemos chamar guerra tradicional, implica sobretudo a soberania do espaço. A Alemanha queria controlar todo o espaço europeu, tornar-se soberana de toda a Europa, e para isso teria de conquistar cada centímetro de espaço, quer pela força, quer pela ameaça da força. Na história da humanidade, este tipo de guerra é relativamente corrente. Implicava, no caso, sobretudo um esforço tecnológico e de produção de materiais de guerra, por um lado, e de homens capazes de lutar, por outro.
Mas, o que tornou esta guerra uma guerra diferente é que havia um outro plano onde uma outra guerra se combatia. Mesmo do ponto de vista estratégico e de estruturas necessárias, podemos verificar essa dupla vertente. Se, no plano da guerra tradicional, o necessário era criar armas cada vez mais fortes e posicioná-las nos limites do espaço conquistado, na tentativa de conquistar ainda mais espaço, no plano da «outra» guerra as necessidades eram outras, e, na maior parte dos casos, eram bem dentro dos limites do espaço conquistado, ou mesmo do espaço alemão, que tal guerra se tornaria eficaz. Datas, lugares, personagens principais ativas, legislação, tudo indica duas guerras que procuravam dois objetivos distintos: por um lado, um certo imperialismo alemão que queria o espaço; por outro, o que vulgarmente se chama antissemitismo, que pretendia (além da confiscação de bens – e por isso fortuna) a eliminação física de populações específicas (não só os judeus, como ciganos, homossexuais, doentes mentais, idosos terminais, etc.). 
O campo de concentração de Auschwitz adquiriu uma capacidade simbólica, sendo considerado como o maior exemplo do mal moral, como Lisboa (o terramoto de Lisboa) tinha sido do mal natural. Auschwitz parece ser uma simbólica para significar toda a inumanidade da Segunda Guerra Mundial. A própria utilização da palavra «inumanidade» demonstra que remetemos esta questão para fora do estatuto de condição humana. Aceitamos que aquele mal é, de facto, exterior a essa mesma condição? Acabamos por dizer que o que aconteceu desafia a compreensão. Ao contrário do que muitas vezes queremos admitir, Hitler e todos aqueles que participaram na Shoah eram homens comuns. Tinham as mesmas qualidades e defeitos que nós. E, mais do que a inumanidade, o que está ali expresso é uma faceta da humanidade que muitas vezes gostamos de não ver. 
Existem imensos exemplos de homens comuns: como Franz Stangl, que participa em tantos assassínios de judeus e as formas de justificação que ele levanta para si mesmo e para os que o rodeiam são também elas banais; ou o autêntico quebra-cabeças do julgamento de Eichmman; ou ainda Hoess, o construtor de Auschwitz. Eles próprios se tinham nessa pouca conta.
Assim, procuraremos, através desses exemplos, responder a dois tipos de problemas: 1. que circunstâncias permitem que homens normais, banais, cometam atos como estes? 2. que circunstâncias permitem que milhões de homens e mulheres adiram (pelo menos pela omissão de atos de coragem) a ideologias que têm na morte, na falta de liberdade, a sua matriz?

João Melo

Nota biográfica: Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, iniciou o seu percurso profissional na FCT/UNL, tendo ingressado no sector postal dos CTT – Correios de Portugal. Após o exercício de funções na Companhia Portuguesa Radio Marconi, regressa aos CTT, onde, durante vários anos, assumiu a responsabilidade pela conceção e desenvolvimento de vários projetos inovadores e, atualmente, é responsável pela Gestão de Inovação no âmbito da Direção de Digital & Inovação. Autor de várias publicações no âmbito da inovação postal e conferencista em vários foruns postais (African Postal Forum, PostExpo, Postal Innovation Platform, etc.), é ainda Chairman do Innovation Forum da PostEurop (Associação de Operadores Postais Europeus) e Membro do External Advisory Board do CTS – Centro de Tecnologias e Sistemas da UNINOVA (FCT/UNL).

Título da comunicação: Computação quântica: the final frontier?

Resumo: A computação quântica está para a computação clássica como os motores a jato estão para os engenhos movidos a vapor. Trata-se de um novo paradigma de computação que, tirando partido de propriedades inusitadas das partículas subatómicas (e.g., protões) e não só (e.g., fotões), como seja poderem estar em dois estados (0 e 1) simultaneamente (sobreposição quântica), possibilita a construção de computadores capazes de resolver numa fração de tempo determinado tipo de problemas (atualmente sobretudo de otimização) que, mesmo nos mais poderosos supercomputadores atuais, demorariam séculos a ser resolvidos.

Jorge Luiz de Oliveira da Silva

Nota biográfica: Juiz Federal da Justiça Militar do Brasil; professor, palestrante e conferencista de temas relacionados ao Direito Penal, Criminologia, Ética, Assédio Moral e Assédio Sexual; mestre em Direito Público e Evolução Social, pós-graduado em Docência Superior, em Direito Penal e Processual Penal e em Educação Cognitiva e Valores Éticos, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais. É autor dos livros Assédio Moral no Ambiente de Trabalho e Estudos Criminológicos sobre a Violência Psicológica, além de vários artigos científicos e capítulos de livros.

Título da comunicação: Refugiados venezuelanos no Brasil: no limite entre o desalento e a esperança

Resumo: A presente comunicação tem por objetivo demonstrar alguns aspetos do movimento forçado de saída de milhares de cidadãos da Venezuela, em razão da grave crise política, económica e social vivenciada naquele país, que eclodiu com mais intensidade a partir do ano de 2018. Nesse contexto, o Brasil tem sido o país destinatário preferido dessa massa migratória, em especial pela proximidade fronteiriça e em razão da política de acolhimento a refugiados. No entanto, esse movimento deve ser visto não somente como um fenómeno político, mas primordialmente como uma questão humanística, considerando todos os valores e dilemas que envolve. A legislação brasileira sobre refugiados está em plena sintonia com os tratados e convenções internacionais sobre a temática, mas é o lado humano e de seus limites que deve ser analisado em harmonia com essas normas, de forma mais abrangente e preponderante. Como chegam os venezuelanos ao Brasil? Quais são os projetos disponíveis para inserção social? Quais são os sentimentos desses refugiados? Qual tem sido a postura dos brasileiros em relação a esse fenómeno migratório? Estes são temas que dão contorno ao problema central trazido à discussão. Portanto, a presente comunicação pretende exatamente abordar o dilema dos limites humanos nesse processo, a aplicação da norma jurídica na hipótese e de que forma os venezuelanos refugiados estão reconstruindo sua história no Brasil, um verdadeiro desafio para sua humana condição.

José Eduardo Franco

Nota biográfica: Mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, mestre em História Moderna pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutor em Cultura pela Universidade de Aveiro e doutor em História e Civilização pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris. Especialista em história da cultura, tem vindo a desenvolver um vasto trabalho como autor, coordenador e co-coordenador de vários projetos de investigação nos domínios das ciências sociais e humanas, dos quais se destacam o Dicionário Histórico das Ordens, a Obra Completa do Padre Manuel Antunes, os 30 volumes da Obra Completa do Padre António Vieira e o projeto de levantamento da documentação portuguesa patente no Arquivo Secreto do Vaticano. Até 2012, foi presidente da direção do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes. Entre 2012 e 2015, foi diretor do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Atualmente, é professor-coordenador com equiparação a professor catedrático da Universidade Aberta, onde dirige a Cátedra FCT/Infante Dom Henrique de Estudos Insulares e da Globalização, e desenvolve o projeto Aprender Madeira, região de onde é natural, no âmbito do qual dirige o Dicionário Enciclopédico da Madeira e a edição crítica da Obra Completa do Marquês de Pombal. Em setembro de 2015, foi condecorado com a Medalha de Mérito Cultural. Em 2018, recebeu o Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica pela coordenação dos 30 volumes das Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa.

Título da comunicação: Os limites de um «poder ilimitado»: Excessos e limites dos usos do poder absoluto no tempo de Pombal

José Pedro Teixeira Fernandes

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Nota biográfica: Professor-coordenador do ISCET e investigador do IPRI-Universidade Nova de Lisboa, lecionando nas áreas de relações internacionais e estudos europeus.
Tem diversos artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais e vários livros nas suas áreas de especialização.
Integra o painel de analistas/comentadores de política internacional do Jornal 2 da RTP. É autor de diversos artigos de opinião e análise de questões internacionais no jornal Público

Título da conferência: A (des)globalização: cosmopolitismo, proteccionismo e fronteiras

José Ricardo Vidal

Nota biográfica: Nascido em 1989, na cidade de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto. Amante de desporto, tirou formação em Gestão de Desporto e, posteriormente, como treinador de futebol UEFA (nível I). É treinador de futebol há sete anos e, desde há dois anos, Supervisor Técnico e Coordenador do Departamento de Formação Juvenil do C.U.D. Leverense, em Vila Nova de Gaia.
Gere a página Atitude A Ti, Tudo, é autor do livro Viver com Alma, e coach, trainer e palestrante motivacional.

Título da conferência: (Sobre)viver com alma

Resumo: Em algum momento, podemos ser confrontados com um desafio. Do mais pequeno ao maior. Do mais superficial ao mais profundo. Alguns deles «ardem» e fazem-nos sentir destruídos, limitados! No encontro com a Alma, abraça-se a oportunidade de Vida que convida à partilha!

José Rodrigues dos Santos

Nota biográfica: Nasceu em Moçambique, em 1964.
Começou a exercer jornalismo em 1981 na Rádio Macau, em Macau. De 1987 a 1990, foi jornalista na BBC, em Londres, onde também desempenhou o cargo de correspondente da RTP. Em abril de 1990, veio para Lisboa exercer funções de professor de jornalismo na Universidade Nova de Lisboa (até 2015) e de jornalista na RTP, tornando-se apresentador do Telejornal. Em 1992, começou a desempenhar as funções de colaborador permanente da CNN, que exerceu até 2001.
Doutorou-se em Ciências da Comunicação em 2001 pela Universidade Nova de Lisboa. Foi diretor de Informação da RTP em dois mandatos, 2000-2001 e 2002-2004. Cobriu dezenas de conflitos armados em todo o mundo, o último dos quais a guerra no Iraque contra o Estado Islâmico. Enquanto académico, publicou sete ensaios.
Tornou-se romancista em 2002, tendo até à data publicado 20 romances, traduzidos em uma vintena de línguas.
Enquanto jornalista, recebeu três prémios da CNN e dois do Clube Português de Imprensa. Conquistou também diversos galardões de Melhor Apresentador do Ano, e foi ainda votado pelo público Jornalista e Escritor de Confiança Reader’s Digest, Jornalista Cinco Estrelas e Jornalista e Escritor Cinco Estrelas. Enquanto romancista, ganhou o Grande Prémio do Clube Literário do Porto 2009, o Prix Littéraire de la Lusophonie 2018, o Prémio Bertrand Romance do Ano 2018 e foi nomeado duas vezes para o IMPAC Dublin Literary Award (2010 e 2012).
Lecionou jornalismo na Universidade Nova de Lisboa durante 25 anos.

Título da comunicação: As interconexões de uma ideologia global – As origens marxistas do fascismo

Resumo: O marxismo apresentou-se como a versão científica do socialismo, descrevendo a história como um mero produto de leis objetivas e necessárias, leis que Marx e Engels haviam identificado e que, segundo acreditavam, lhes permitiram desvendar o enigma da história. Com base nessas leis, os fundadores do marxismo fizeram um conjunto de previsões sobre o futuro da sociedade. O problema é que o essencial dessas previsões não se realizou, além de que a teoria marxista revelou graves lacunas pois não explicava fenómenos importantes, como a persistência das nações, o que ameaçou lançar o marxismo no descrédito. 
Foi para resolver esses problemas que logo após a morte de Marx e Engels emergiram os revisionismos. O alemão Eduard Bernstein propôs que o socialismo aceitasse a propriedade privada e a economia de mercado, para não impedir a criação de riqueza, e recusasse que o proletariado fosse uma classe acima das outras – não passava afinal de uma classe como as outras. Além disso, deveria reconhecer que os trabalhadores tinham uma pátria. Um outro revisionista, o francês Georges Sorel, admitiu que o proletariado nunca faria a revolução socialista por si próprio e preconizou a instituição de uma elite que o guiasse e o galvanizasse com mitos, usando a violência para intensificar as tensões sociais e provocar a tão almejada revolução. Por fim, reconhecendo que entre o operariado o sentimento de pertença a uma nação era mais poderoso do que o de pertença a uma classe, o austríaco Otto Bauer defendeu que os burgueses se haviam voltado para o internacionalismo, pois o capital não conhecia fronteiras, e que assim sendo os socialistas deveriam abraçar o nacionalismo e usar o seu imenso poder para galvanizar o proletariado para a revolução, o que tornava o nacionalismo num projeto revolucionário.
Estas ideias foram absorvidas por um grupo de socialistas italianos que decidiram adotá-las para fundar um novo tipo de socialismo – um socialismo que aceitasse a propriedade privada e a economia de mercado, um socialismo que recusasse a supremacia do proletariado sobre as outras classes e recusasse a história como simples produto de um paralelograma de leis económicas, um socialismo guiado por uma elite disposta a usar a violência para desencadear a revolução, um socialismo que abraçasse um mito, o mito da nação, e que assim usasse o nacionalismo para galvanizar a população em torno do seu projeto social. O líder desses socialistas italianos era um revolucionário chamado Benito Mussolini e para batizar o tipo de socialismo que eles conceberam recorreram a uma antiga expressão italiana usada para descrever movimentos socialistas rurais tradicionais: o fascismo.

Laura de Borba de Moosburger

Nota biográfica: Possui graduação (2005) e mestrado (2007) em Filosofia pela UFPR, Universidade Federal do Paraná (Brasil), e doutoramento (2018) em Filosofia pela USP, Universidade de São Paulo (Brasil), com bolsa FAPESP. Tem experiência em filosofia, especialmente filosofia moderna e contemporânea, filosofia clássica alemã, filosofias da existência, ética, estética e literatura. Como trabalho de mestrado, realizou uma tradução de A Origem da Obra de Arte, de Martin Heidegger, acompanhada de ensaio introdutório. No seu doutoramento, realizou uma interpretação filosófica da poesia de Georg Trakl. Fez traduções para o português de poemas de Georg Trakl e de Rainer Maria Rilke. 

Título da comunicação: Wittgenstein e o problema do limite

Resumo: A comunicação abordará o problema do limite no pensamento de Ludwig Wittgenstein, mediante um confronto crítico entre os distintos modos como o autor coloca o problema em sua obra filosófica e nos seus diários pessoais. O problema do limite perpassa a obra de Wittgenstein, uma vez que uma de suas principais preocupações recaiu justamente sobre os limites da linguagem e do discurso filosófico. No desenvolvimento de suas reflexões acerca do problema, um dos principais recursos mobilizados por ele foi a apresentação de casos-limite, mediante os quais um determinado curso de pensamento é levado a consciencializar-se do terreno em que se move, consideradas as suas fronteiras, tornando assim mais patente o seu escopo e limites de aplicabilidade. Contudo, o problema do limite não se restringe à esfera epistemológica e linguística: «o ser humano tem a tendência de forçar os limites da linguagem, e esse esforço aponta para a ética», diz Wittgenstein. Mas uma apresentação mais direta e frontal do teor ético dessa «tendência a forçar os limites da linguagem» foi feita pelo autor apenas nos seus diários pessoais, onde, mais do que casos-limite enquanto hipóteses argumentativas, são descritas verdadeiras situações-limite, ou seja, situações de sofrimento – especialmente corporal, como o decorrente de doença e de tortura – que confrontam o pensamento com um problema ético real e direto – a dor, especialmente a dor do outro –, tornando com isso mais patente a relação entre epistemologia, linguagem e ética.

Lucas Rodrigues Ferreira

Nota biográfica: Académico em Psicologia na Faculdade Anísio Teixeira, 9.° semestre; estagiário de psicologia do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico ao Estudante da Faculdade Anísio Teixeira; membro da Liga Académica de Pesquisas e Estudos em Saúde Mental (LAPESM-FAT); pós-graduando em Saúde Mental e Atenção Psicossocial pelo Instituto Sinapses; pós-graduando em Resolução de Conflitos: Práticas Restaurativas pela FAVENI.

Título da comunicação: A construção do racismo religioso contra religiões de matrizes africanas: a discussão sobre a laicidade brasileira

Resumo: O presente artigo objetivou compreender, através de revisão bibliográfica, como o racismo religioso contra as religiões de matrizes africanas se construiu ao longo do tempo no Brasil. No que diz respeito ao contexto brasileiro, é possível notar que desde há muito tempo se têm feito práticas que desvalorizam a cultura negra nas diferentes áreas de suas vidas, inclusive na religiosidade. Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos enfatiza que toda e qualquer pessoa tem o direito à liberdade de expressão e religiosa, torna-se necessário analisar como o Brasil, enquanto país laico, compreende a importância de não hierarquizar uma prática religiosa sobre a outra. Desse modo, a prática de intolerância religiosa traz impactos diretos nas relações interpessoais e intergrupais com consequências nocivas para o processo identitário dos indivíduos e grupos da sociedade, impactando diretamente na autoestima, autoconceito e autoimagem das pessoas discriminadas. 

Luís Calheiros

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Nota biográfica: Curso Superior de Pintura, em 1982, pela antiga Escola Superior de Belas Artes do Porto (atual FBAUP). Frequentou a licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi professor efetivo de Educação Visual em Viseu, é docente do Instituto Superior Politécnico desde 1991, nas disciplinas teóricas de Estética e Movimentos Artísticos do Século XX (História da Arte) e nas disciplinas práticas de Ateliê de Pintura e Desenho.
Fez várias exposições individuais e numerosas exposições coletivas. Participou em grandes exposições nacionais, a convite das respetivas organizações ou selecionado pelos júris de concurso, nomeadamente três Bienais de Arte de Vila Nova de Cerveira, a 3.ª Exposição Geral de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, várias Exposições Gerais de Arte Moderna do Porto, a Grande Exposição ESBAP-FBAUP, no Edifício da Alfândega do Porto; representado em coletivas em Inglaterra, Espanha, Brasil e Bruxelas. Recebeu o 1.º Prémio de Pintura (Prémio Câmara Municipal de Viseu/Fundação Calouste Gulbenkian) do II Salão da Feira de São Mateus 1986, Viseu. Está representado em coleções públicas e particulares em Portugal e no estrangeiro
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Título da conferência: Os limites do belo e a natureza do feio

Luis Guillermo Jaramillo Echeverry

Nota biográfica: Doctor en Ciencias Humanas y Sociales – Educación. Universidad de Tras-os-Montes e Alto Douro. Vicerrector Académico de la universidad del Cauca. Profesor Titular. Universidad del Cauca, Popayán, Colombia.

Título da conferência: El esplendor de la humanidad a pesar del sufrimiento

Resumo: La presente comunicación pone en evidencia la banalidad del mal a partir de dos categorías de análisis: la primera, la autoridad del testimonio (la palabra) en personas que han sufrido de cerca los estertores de la guerra, autoridad en la que pre-existe una verdad que escapa de una racionalidad técnica e instrumental; la segunda, la esperanza de una humanidad que brilla ante la vulnerabilidad del dolor. Herida abierta que nos pone al límite y en cuestión en medio de una humanidad que resplandece a pesar del sufrimiento.

Marco Daniel Duarte

Nota biográfica: Marco Daniel Duarte é diretor do Museu do Santuário de Fátima e do Departamento de Estudos da mesma Instituição religiosa, onde dirige o Arquivo e a Biblioteca. É ainda diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima.
Doutorado em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tem desenvolvido a sua investigação no âmbito dos estudos da iconografia e da iconologia e no âmbito das temáticas relacionadas com o pensamento humano no contexto da história de Fátima.
Vice-presidente do IEAC-GO, Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização, pertence à Academia Portuguesa da História, à Academia Nacional de Belas Artes, à Sociedade Nacional de Belas Artes, à Associação Portuguesa de Historiadores da Arte, à Sociedade de Geografia de Lisboa e à Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa.
É Investigador do CLEPUL, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e do CEIS20-UC, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra, e entre 2012 e 2016 integrou o Seminário dos Jovens Cientistas do Instituto dos Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa.
Autor de vários estudos publicados em revistas científicas e editados em livro, alguns deles premiados, comissariou diversas exposições científicas subordinadas às temáticas da sua especialidade.

Título da comunicação: Limites e interditos na criação artística: reinterpretações da iconografia cristã pela iconoclastia contemporânea

Resumo: Libertada da influência mecenática da Igreja, a criação artística desenvolveu, já a partir do século XIX, mas sobremaneira ao longo do século XX, um posicionamento que a tornou equidistante relativamente aos temas religiosos, ao ponto de deles prescindir e, em fase mais avançada, ao ponto de deles se servir com sentido crítico. Concomitantemente a este mesmo posicionamento sobre a temática religiosa, a arte põe em causa e trabalha, de forma crítica também, os mais diversos ícones que considera representativos da própria civilização humana.
Em atitude paradoxalmente iconoclasta, ao trabalhar as imagens que critica, a arte constrói novas imagens e valoriza a matéria que destrói. Com efeito, analisado este processo em profundidade, ainda que em atitude de rejeição, os artistas reconhecem os pilares civilizacionais fixados nos temas clássicos da iconografia religiosa que continua, assim, presente no imaginário artístico contemporâneo. 

Maria do Carmo Cardoso Mendes

Nota biográfica: Professora e investigadora do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho. Vice-presidente do ILCH e presidente do Conselho Pedagógico do mesmo Instituto. Especialista em Literatura Comparada e em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, tem publicado ensaios sobre: escritores de língua portuguesa; escritores de língua inglesa; mito de Don Juan; ecocrítica; literatura fantástica e policial; influências clássicas na literatura portuguesa contemporânea; diálogos entre a literatura portuguesa e as literaturas hispano-americanas. As suas publicações mais recentes são os livros Don Juan(ismo): o Mito (2014), Artes e Ciências em Diálogo (coordenação com Isabel Ponce de Leão e Sérgio Lira – 2015), Idades da Escrita: Estudos sobre a Obra de Agustina Bessa-Luís (2016) e Humores e Humor na Obra de Agustina Bessa-Luís (coordenação com Isabel Ponce de Leão – 2017) e Ecocriticism 2018. Literature, Arts and Ecological Environment (coedição com Isabel Ponce de Leão e Sérgio Lira – 2018).

Título da comunicação: Os muros da Europa do século XXI

Resumo: A Europa do século XXI enfrenta uma crise migratória a que a literatura não é alheia. Esta comunicação, centrada num romance português contemporâneo, Um Muro no meio do Caminho (2017), de Julieta Monginho, tem como objetivos principais: 1) Identificar os dolorosos desafios vividos por migrantes sírios num campo de refugiados na Grécia; 2) Explicitar os conflitos políticos que a Europa tem enfrentado perante a crise migratória; 3) Demonstrar que este romance contemporâneo é um relevante contributo para uma reflexão sobre experiências quase inimagináveis vividas por seres humanos.

Maria da Conceição Azevedo

Nota biográfica: Licenciada em Filosofia (1982) pela Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica Portuguesa. Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea pela mesma Faculdade (1985). Doutora em Ciências da Educação/Filosofia da Educação pela UTAD (1994). Agregada em Educação/Filosofia da Educação, na UTAD, em 2004, atualmente, é professora catedrática do Departamento de Educação e Psicologia e Presidente do Conselho Científico da Escola de Ciências Humanas e Sociais da UTAD (desde 2017). Foi Presidente da Comissão de Ética e Provedora do Estudante da UTAD entre 2013 e 2016.

Título da comunicação: «Até quantas vezes devo perdoar?»: O perdão como limite e os limites do perdão

Resumo: Partimos da análise do perdão de Jankélévitch (Le Pardon, 1967) com vista a identificar linhas orientadoras para uma pedagogia do perdão no quadro da educação moral.
O perdão constitui-se como acontecimento limite no íntimo do ofendido que renuncia à vingança e mesmo à justiça, não apenas no presente, mas em todo o horizonte futuro e definitivo.
Como recorda Pedro Valinho Gomes (2013), em si mesmo, o perdão é paradoxo – entre a consciência da dívida e da ofensa que pedem justiça e a pura gratuidade; entre a memória e o esquecimento; entre a responsabilidade e a desculpa e justificação –, mas também a superação do mesmo paradoxo, feita na história e na narrativa que a interpreta. Impondo-se-nos como ascese, é intrinsecamente educacional.
O perdão é limite também no sentido em que se apresenta como «o recurso supremo e a graça última», a única coisa a fazer «quando um crime não pode ser justificado nem explicado nem mesmo compreendido», quando não há atenuantes nem desculpas que minimizem a sua atrocidade e quando toda a esperança de regeneração tem de ser abandonada.
Ora, se o perdão, mesmo que impuro, pode narrar-se no contraste com a história dos crimes que o motivam, ele não é apenas a narrativa de um processo educativo, mas manifestação da aprendizagem de ser que constitui o próprio núcleo da educação moral. Assim mesmo – ou por isso mesmo –, continuamos a interrogar-nos se o perdão pode ensinar-se e como fazê-lo sem doutrinar, isto é, sem ofender a autonomia e a identidade do educando, o que seria, por outro lado, anular o próprio perdão maculando a sua mesma natureza. Será possível ensinar a perdoar sem instrumentalizar o perdão como meta pedagógica  ou competência transversal?

Maria de Fátima Eusébio

Nota biográfica: Licenciada em História (variante História da Arte) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Frequentou o mestrado em História da Arte em Portugal na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apresentando a tese Retábulos Joaninos no Concelho de Viseu. Doutorou-se pela mesma universidade no ano de 2006, com a tese A Talha Barroca na Diocese de Viseu. No ano de 2007, concluiu o Curso de Especialização em Ciências Documentais.
Foi docente da Universidade Católica Portuguesa entre 1994 e 2007, a tempo integral e em regime de exclusividade. Presentemente, é Coordenadora do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu.
Tem como campo preferencial de investigação o património da Igreja. Tem apresentado várias comunicações e publicado diversos estudos sobre a história e o património artístico, bem como sobre a salvaguarda dos bens culturais de Igreja. Desenvolveu várias iniciativas orientadas para a compreensão do património da Igreja não apenas como manifestação artística, mas essencialmente como um meio de aproximação a Deus e de crescimento da fé.

Maria Irene da Fonseca e Sá

Nota biográfica: Docente na Faculdade de Administração e Ciências Contáveis da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Tem graduação em Matemática/Informática, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (1977); mestrado em Engenharia de Sistemas e Computação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (1982); doutoramento em Ciência da Informação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (2013); pós-doutoramento em Ciências da Comunicação e Informação, Universidade do Porto, Portugal (2015). Extensão Universitária em Iniciação Teológica à Distância (carga horária: 410h), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, Brasil.

Título da comunicação: Atendimento à pessoa ostomizada: um estudo sobre o processo

Resumo: No decorrer da vida, pessoas ditas «normais» ou saudáveis podem ter sua saúde funcional perturbada, comprometida por acidentes e/ou doenças crônicas, e, assim, carecerão de reabilitação. Neste contexto, se inserem as pessoas ostomizadas, de forma a tornarem-se aptas a realizar suas atividades, minimizando o comprometimento de sua qualidade de vida.
O paciente ostomizado foi submetido a um procedimento cirúrgico que consiste na abertura de um órgão oco, como o intestino. Assim, é realizado um estoma – abertura ou orifício feito na parede abdominal por meio de colostomia, ileostomia, etc. Nesses casos, é utilizada uma bolsa de colostomia para o recolhimento das fezes.
A vida das pessoas com ostomia pode sofrer profundas mudanças. O ostomizado passa por alterações drásticas em relação à apresentação do seu corpo, em suas práticas, em suas experiências, no relacionamento familiar, no relacionamento sexual e nas relações sociais que afetam o trabalho e o lazer, repercutindo na sua autonomia. 
No Brasil, a portaria SAS/MS n.º 400, de 16/11/2009, estabelece diretrizes nacionais para a atenção à saúde das pessoas ostomizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde. Portanto, os Serviços de Atenção às Pessoas Ostomizadas são unidades de saúde especializadas para assistência às pessoas com estoma, que são consideradas portadoras de deficiência física. Esses serviços desenvolvem ações de reabilitação que incluem: orientações para o autocuidado, prevenção e tratamento de complicações no estoma, capacitação de profissionais e o fornecimento de equipamentos coletores e de proteção e segurança (bolsas coletoras, barreiras protetoras de pele sintética, coletor urinário).
O estudo tem por objetivo discutir os processos de atendimento do setor de reabilitação na dispensação de equipamentos coletores e apurar quais os fatores internos e externos, do setor, que podem alterar a frequência do paciente (faltas e antecipações) para a dispensação da bolsa de ostomia. Os processos são estudados, analisados e documentados, através da metodología Business Process Managemant (BPM), de forma a promover maior qualidade de vida para o paciente ostomizado, a partir da melhoria contínua dos processos de atendimento do setor de reabilitação. 
A pesquisa é qualitativa e, a partir de estudo de caso, desenvolve a modelagem de processos do setor de reabilitação no atendimento de dispensação de equipamentos coletores nas instituições públicas de saúde, no Brasil.
Conclui-se com uma avaliação da relevância dos avanços das políticas públicas nas instituições públicas de saúde, no Brasil.

Maria José Figueiredo

Nota biográfica: Nasceu em Moçambique a 15 de abril de 1963, licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1987 e obteve os graus de mestre (1993) e doutora (2004) em Filosofia pela mesma universidade; em ambos os casos, estudou o pensamento de Aristóteles. Foi docente de Filosofia nesta Universidade durante cerca de 10 anos. É desde 1990 tradutora e revisora literária, com dezenas de obras publicadas, incluindo três traduções de obras de Platão. É investigadora do Clepul e membro da CIDH, colaborando, como autora, revisora e formadora, em diversos projetos destas instituições. É membro da direção do IEAC-GO. Ultimamente, tem publicado ensaios nas áreas da literatura e do cinema.

Título da comunicação: Fora dos limites: a lógica do raciocínio consequencialista

Resumo: A lógica do pensamento consequencialista estabelece que a bondade ou maldade de uma ação se avalia exclusivamente pelas consequências que dela resultam, eliminando assim a possibilidade de classificar uma ação como boa ou má em si mesma. Os riscos deste raciocínio para a decisão moral são evidentes, quer porque o cálculo das consequências é, na prática, impossível de fazer, quer porque ele autoriza, como bons e louváveis, quaisquer meios para alcançar quaisquer fins.
Esta situação é ilustrada de forma especialmente interessante por Cai o Pano. O Último Caso de Poirot (1975), um romance de Agatha Christie, e por Inocente ou Culpado (2003), um filme de Alan Parker, cujos protagonistas recorrem a medidas extremas para obter os resultados que consideram moralmente necessários.
A comunicação pretende discutir as decisões destas personagens e a forma como a romancista e o cineasta as veem.

Maria Manuela Portela

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Nota biográfica: Professora associada com agregação no Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Georrecursos, DECivil, do Instituto Superior Técnico, IST (Universidade de Lisboa), especialista em hidrologia e recursos hídricos superficiais, com ampla experiência, teórica, mas também prática, na modelação hidrológica e de acontecimentos hidrológicos extremos (precipitações intensas, cheias e secas), na modelação matemática e estatística de séries hidrológicas temporais, no dimensionamento de infraestruturas hidráulicas, com ênfase para pequenos aproveitamentos hidroelétricos, e no dimensionamento de albufeiras.

Título da conferência: O tempo e o espaço da água

Resumo da conferência: Apresentam-se breves reflexões, em termos globais, mas fundamentalmente direcionadas para Portugal, sobre a ocorrência e a disponibilidade de água, a sua acentuada variabilidade no tempo e no espaço, a necessidade de o seu armazenamento e controlo, as manifestações naturais que mais diretamente impactam com a sociedade e os desafios que se prefiguram relacionados com a sua escassez. Tecem-se ainda algumas considerações quanto a implicações sobre a disponibilidade hídrica do posicionamento relativo de Portugal e Espanha.

Maria Teresa Amado

Nota biográfica: Tem licenciatura, mestrado e doutoramento em História. É professora auxiliar no Departamento de História da Universidade de Évora. As suas áreas de especialização são iconografia, cultura e história da arte renascentista. 

Título da comunicação: Limites da arte, limites da esperança

Resumo: Hoje, a arte parece efémera, um pouco como a esperança.
O diferente, o provocatório, o feio acomodaram o nosso quotidiano, o nosso olhar e o nosso coração.
Aceitar e acolher, alargar as fronteiras, questionar valores e princípios tornaram-se fecundos caminhos de abertura à pluralidade e à riqueza da existência humana. Embora possam também convir a formas de banalização da verdade.
No entanto, o espanto e a esperança são as sementes da vida e da arte; são sementes de diálogo na relacional condição humana.
Esta comunicação gostaria de refletir sobre o insubstituível papel da arte e dos artistas na sociedade e na cultura atual, tal como o foi em épocas passadas. Para isso, recorremos a textos e obras plásticas de três artistas renascentistas e modernos. Selecionámos trabalhos de Francisco de Holanda, de Amadeo de Sousa Cardozo e de Rui Chafes, por inúmeras razões: embora 500 anos medeiem a vida destes homens, todos são artistas independentes e indomáveis, de fortes convicções e valores (éticos e estéticos); trilham caminhos inovadores e autênticos; as suas obras são resultado de uma elaborada reflexão teórica, que enunciam; vivem fortes tempos de mudança, que os obrigam a acelerar processos de maturação interior e a ensaiar novas formas de linguagem e de estética. Social e culturalmente, não têm grande reconhecimento no seu país; vivem nas periferias do aceitável e da rebeldia, sem se proclamarem vedetas da diferença.
Mas as suas obras foram escolhidas sobretudo porque são profundas, densas e misteriosas, poeticamente libertadoras. Trata-se de criações não realistas, abstratas, de limites indefinidos, que captam o âmago da totalidade: a vida, a morte e o para além. Mergulham nos abismos do tempo, da destruição, e do mal. Não escondem a precaridade da beleza, a carência de luz e de cor, a fragmentação da matéria e do espaço, em que, por vezes, o negro tudo absorve.
Tornam-se criações eternas, pois a sua mensagem toca-nos, interpela-nos e obriga à reflexão e à ação, hoje como há 500 anos. São obras que nos enfrentam (pela sua força, autenticidade expressiva e inquietação), que nos fortalecem e impedem de recuar, humana e culturalmente, perante o banal estabelecido. São obras que fazem romper com os nossos horizontes, são obras que sondam o insondável: «Vejo um ramo de amendoeira»: Jeremias 1, 11.
Revelam a verdade da arte, a eternidade da criação.

 

Maria Teresa Ribeiro

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Nota biográfica: Professora associada da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Doutora em Psicologia pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Áreas de investigação: conjugalidade e transição para a parentalidade; terapia familiar; mediação familiar e comunitárias, entre outros. Autora de vários artigos de investigação em livros e revistas nacionais e internacionais de referência.

Título da conferência: Relações conjugais e parentais – o desafio dos limites

Marta Mendonça

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Nota biográfica: Marta Mendonça é professora do Departamento de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa desde 1990. É licenciada em Filosofia pela Universidad de Navarra e mestre e doutora pela Universidade Nova de Lisboa (2001). Tem publicado sobretudo nos domínios da Filosofia Moderna, História e Filosofia da Ciência, Filosofia da Natureza e Bioética. Colaborou como professora visitante em diversas universidades de Espanha, França, Brasil, Chile e Reino Unido. Integra o grupo “Pensamento Moderno e Contemporâneo” do CHAM-Centro de Humanidades da NOVA FCSH. É membro de várias academias e sociedades científicas internacionais e membro fundador da Rede Iberoamericana Leibniz.

Título da conferência: Citius, Altius, Fortius. O desafio trans-humanista aos limites do humano

 

 

Miguel-Pedro Quadrio

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Nota biográfica: Investigador no Centro de Estudos de Comunicação e Cultura e docente na Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Católica Portuguesa, Miguel-Pedro Quadrio doutorou-se em Estudos de Cultura, na mesma escola, com a tese Dispositivo Crítico. Condições de Possibilidade da Crítica Jornalística em Portugal. Focando-se na constituição, relevância sistémica e história da crítica de artes performativas, em Portugal, a sua investigação ancora-se conceptualmente nos campos da teoria crítica, dos estudos artísticos e dos estudos de tradução. Tem no prelo o volume Em Nome da Crítica (Universidade Católica Editora). Atualmente, prepara a edição de textos inéditos e já publicados do teatrólogo Eduardo Scarlatti e um volume sobre a revista O Actor. Expositor de Signos Teatrais, projeto editorial da produtora Cassefaz. Fez crítica de teatro no jornal Diário de Notícias. Participou na fundação das revistas Sinais de Cena e Obscena. Na Direção Geral das Artes e como especialista na área do teatro, integrou diversos júris de apoio às artes. Como dramaturgista e responsável pelas publicações, colaborou com as companhias Teatro da Garagem e Companhia de Teatro de Almada.

Título da conferência: No limite: os trabalhos e os dias da crítica

Noémia Certo Simões

Nota biográfica: Tem uma vasta formação de cariz interdisciplinar em ciências sociais e humanidades.  É licenciada em Economia, mestre em Economia e Política Social e tem um doutoramento incompleto em Economia e Estudos Culturais. Tem uma ampla experiência como docente em áreas de matemática e ciências sociais.  Atualmente, é dinamizadora regional da Animar – Desenvolvimento Local e professora em universidades seniores da região da Grande Lisboa.

Título da comunicação: Em torno dos limites: encontros criativos

Resumo: Nesta comunicação apresentamos algumas propostas educativas de cariz interdisciplinar que visam trabalhar o conceito de limite na sua relação com a ecossustentabilidade. 
Partindo da definição matemática de limite de uma sucessão e de uma função, exemplificamos com situações da vida real relacionadas com a ecossustentabilidade.
Teremos em particular atenção as questões de ensino disciplinar e os debates de cariz interdisciplinar que se colocam neste âmbito.

Nuno Amaral Jerónimo

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Nota biográfica: Professor do Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior desde 1998. É professor visitante na Universidade Técnica Gediminas de Vilnius, na Lituânia. Entre várias disciplinas, leciona Sociologia da Cultura e da Comunicação, Sociologia do Consumo e da Moda, Oficina de Escrita Criativa. A sua tese de doutoramento aborda a relevância do discurso humorístico no tecido social e da comédia como descodificação do real.
Fora da academia, foi coautor de Como Ficar estupidamente Culto em apenas 10 Minutos, redator do suplemento satírico Inimigo Público, ensaísta na revista Atlântico, e colunista do jornal i. Mantém, desde 2000, uma coluna semanal no jornal regional Interior, sediado na Guarda.

Nuno Markl

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Nota biográfica: Nuno Markl nasceu em 1971. Foi jornalista, é locutor de rádio, argumentista, humorista, cartoonista, ator e apresentador. 
Assinou colaborações com o suplemento Inimigo Público e escreveu «Há vida em Markl», «A cave do Markl», «Os contemporâneos», «5 para a meia-noite», «Herman enciclopédia», «Herman 98», entre outros.
Trabalhou na SIC, na SIC Radical e no Canal Q. Faz dobragens, tendo participado em filmes como As Aventuras de Tintim e Bee Movie. Como ator, estreou-se em A Bela e o Paparazzo, de António Pedro Vasconcelos. Escreveu o filme Refrigerantes e Canções de Amor, lançado em 2016.

Paloma Díaz-Soloaga

Paloma Díaz Soloaga,

Nota biográfica: Paloma Díaz-Soloaga es profesora titular de Intangibles y Moda en la Universidad Complutense de Madrid. Experta en cultura en las organizaciones y gestión de marca. Autora de los libros Introducción a la Cultura en las Organizaciones, Madrid, Síntesis, 2019 y Como Gestionar Marcas de Moda, Barcelona, Gustavo Gili, 2014. Investigadora visitante en Harvard, University of Illinois – Urbana Champaign, FIT de NY y UCSD y profesora visitante en reputadas universidades españolas e internacionales de Europa, Asia y América. Dirigió el Diploma en Comunicación y Gestión de Moda en CU. Villanueva (2007-2016), del que ahora es directora honorífica; ha sido coordinadora académica de Condé Nast College. Autora de más de 20 artículos académicos.

Título da conferência: La moda como artefacto de significación para la persona y las tendencias como límites de sentido en el entorno social

Resumo: La moda en las sociedades modernas, se entiende como una herramienta de comunicación entre las personas y sus ecosistemas sociales. A través de la indumentaria cada uno explica su posición en el mundo, sin necesidad de utilizar un lenguaje canónico formalizado. Es tal la fuerza de la moda, que podemos decir que a través de su gramática propia, se sirve de un conjunto de signos, que el entorno al que se dirige decodifica y llena de significado.
El lugar de trabajo, las amistades, la familia, los espacios de ocio o deporte y los diferentes ámbitos de la vida social, utilizan su lenguaje propio que todos comprenden, estableciendo internamente escalas y rangos de mayor o menor recompensa y admiración. De esta manera las mujeres y los hombres modernos, se comunican, traspasando las antiguas barreras de clase, poder y posición social.
Las tendencias, por su parte, escenifican el progreso de una industria de la moda, que celebra la modernidad, el cambio, la innovación, el éxito y la aceptación o el rechazo de las personas, en función de la comprensión que alcancen de ese lenguaje moderno. Cuanto más se siguen las tendencias, mejor se comprende el mundo. O eso parece.
Sin embargo, las tendencias se mueven en el ámbito de la dicotomía, el paralelismo y la contradicción. Se lleva una cosa y su contraria; está de moda una silueta, un color, un estampado y su opuesto de forma simultánea. Hasta el punto de parecer que todo y nada está de moda.
De este lenguaje simbólico contrapuesto y ambivalente surge la necesidad de buscar los límites. ¿Tienen las tendencias de moda algún límite? ¿Es el comportamiento del consumidor y las ventas quien en último término discrimina lo que está de moda? ¿Son los diseñadores? ¿Son las ferias textiles? ¿Son las agencias de investigación de tendencias? ¿Son todos ellos o no es ninguno?
Lo que sí es cierto es que ningún objeto cotidiano es más cercano al propio cuerpo, se identifica más con nuestro yo, y colabora de una forma más eficaz a mostrar al mundo quienes somos.
En una sociedad necesitada de un lenguaje común, que facilite la comprensión, la moda se presenta como una herramienta al servicio de los límites de la ecología humana y medioambiental.

Patrícia Gomes Leal

Nota biográfica: iLcenciada em Línguas e Literaturas Europeias (major Português – minor Inglês) e mestre em Teoria da Literatura e Literaturas Lusófonas pela Universidade do Minho. Atualmente, frequenta o 1.º ano do doutoramento em Estudos Globais na Universidade Aberta, e é bolseira FCT, onde desenvolve a tese: Influências Globais na obra de Teixeira de Queiroz: heranças clássicas, discursos culturais, ciência e literatura

Título da conferência: Do Alto Minho para o mundo: questões globais e glocais na Comédia do Campo de Teixeira de Queiroz

Resumo: A mãe Natureza é na obra de Francisco Teixeira de Queiroz (1848-1919) um elemento basilar e nuclear para a construção dos seus contos e romances, em particular nos volumes da Comédia do Campo. Com efeito, o autor aborda a mãe Natureza e a sua relação com o Homem numa visão literária em que estão patentes questões comummente debatidas enquanto fenómenos decorrentes do mundo globalizado. Não obstante, tendo como pano de fundo o Alto Minho, as suas gentes, tradições, crenças e paisagens, Teixeira de Queiroz mostra-nos a importância da preservação e do respeito pelo tradicional e pelo que é do outro (mas que também pode ser nosso), a que, numa perspetiva do mundo globalizado, apelidamos glocalização.
Esta apresentação incidirá, portanto, nas questões da globalização e da glocalização analisadas do ponto de vista de um autor que cedo se deparou com fenómenos globais que afetaram as suas gentes arcuenses e o seu território, salvaguardando, em simultâneo, os valores do glocal, do que é único e exclusivo de um território, de um povoado.

Paula Cristina Vaz

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Nota biográfica: Technical Writer Champion na Farfetch, onde trabalha com a equipa de segurança. No seu dia-a-dia, é responsável não só por  documentar os processos e produtos da equipa, como também por estabelecer guidelines e evangelizar as equipas de programadores.
Doutora em Ciências de Computação pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, com a tese Cascade Book Recommendation. Foi no doutoramento que ganhou o gosto pelos dados e pela sua proteção.
Para além de estar a especializar-se em cibersegurança, é data protection officer certificada pela Universidade de Maastricht.

 
Título da conferência: Cibersegurança: Vales tanto quanto valem os teus dados

Resumo

Paulo Reyes

Nota biográfica: Arquiteto, mestre em Planejamento Urbano, doutor em Ciências da Comunicação. Professor e pesquisador da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente desenvolvendo pós-doutoramento em Filosofia, junto ao Instituto de Filosofia da Nova – Universidade Nova de Lisboa, com Bolsa Capes de professor visitante sénior.

Título da comunicação: O que vai acontecer aqui?

Resumo: «O que vai acontecer aqui?» tem múltiplos sentidos: remete às placas que a municipalidade de Lisboa fixa nos edifícios espalhados pela cidade que estão sujeitos à reabilitação de usos; também é o título do documentário sobre gentrificação de Left Hand Rotation apresentado no DOC Lisboa 2019; mas aqui tomamos como título deste artigo sobre o limite entre «o desenvolvimento urbano produzido pelo capital» e o «processo de gentrificação social» derivado deste. Abordar este tema, limite, significa pensar as fronteiras entre um eu-mundo implicado nas relações entre formal-informal das cidades contemporâneas. Os relatos apresentados nesse documentário apresentam em si uma contradição – estabelecem fronteiras e pontes entre a cidade formal e informal. Ao narrar e dar visibilidade às histórias dos moradores, de seus lares subtraídos, mostra as fronteiras da cidade capitalista, mas, ao mesmo tempo, tensiona tais fronteiras, revelando movimentos de (re)apropriação da cidade e sua rede complexa de espaços sociais e físicos, operando sempre num limiar de sonhos e de medos. Este artigo se insere nesta problemática, a partir das noções de estética/política em Jacques Rancière, tomados aqui como modo de experienciar o mundo que se apresenta como «partilha do sensível» – ou seja, incluindo e excluindo simultaneamente. Essa noção de estética/política está para além de uma abordagem estetizada da realidade, pelo contrário, se apresenta como um compromisso ético em relação aos modos de fazer, sentir e pensar a cidade hoje no seu modus operandi – estamos entre o sonho daqueles que buscam uma nova condição de habitar (os novos moradores) e o medo de expulsão daqueles que tentam se manter na sua antiga condição de habitar (os moradores); realidade essa quase impossível de apresentar, pois não estamos diretamente envolvidos como moradores da área. Portanto, propomos uma sobreposição de olhares. O texto se organiza por linhas de um rizoma, como diria Deleuze. Por uma linha, representamos o olhar do documentário; por outra, vivenciando a área a partir de uma experiência artística; e um terceiro olhar de quem compreende o facto pela área de atuação (arquitetura e urbanismo). O que propomos, por fim, é uma reflexão sobre essa realidade urbana com pauta na habitação que passa atualmente Lisboa, mas que é um problema global. Poderíamos, então, reescrever o título: o que está acontecendo aqui?

Ricardo Louro Martins

Nota biográfica: Bolseiro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no projeto de Doutoramento em História e Cultura das Religiões sobre «Afrodite e Agni: Representações do tópico indo-europeu do “Fogo nas Águas”». Licenciado em História da Arte e mestre em História e Cultura das Religiões pela mesma instituição.

Título da comunicação: O limite vertical. Considerações sobre o poste sacrificial e a transmissão na religião indo-europeia

Resumo: A presente comunicação tem por objetivo fornecer uma leitura comparada do «poste sacrificial» na religião e mitologia indo-europeias. Para este efeito, a nossa exposição assentará em duas análises complementares: (1) o uso do «poste» no ritual; e (2) a metáfora do «poste» na literatura religiosa. Baseando-nos no trabalho já desenvolvido por Roger D. Woodard, concretamente acerca dos paralelos que identifica entre o poste sacrificial védico (yūpa) e o terminus latino, enquanto «marcos», «limites» e «fronteiras» que se traçam entre o mundo divino (vertical) e o mundo humano (horizontal), estudaremos a ideia de «limite» enquanto «limitação» e «eixo», mas também enquanto «suporte», «lugar de passagem» e «transmissão» na conceção ritual indo-europeia. Estudaremos de forma comparada os vários conceitos de «limite» e «fim» no vocabulário ritual indo-europeu, por forma a definir os seus mais remotos usos e significados.
A comparação linguística e ritual dar-nos-á ferramentas suficientes para que possamos estudar o seu uso mitológico na literatura religiosa védica, onde o «poste» assume não só as funções de eixo, limite e fim, mas também as funções de verticalização, união e cadeia, que se estabelecem entre Deus e o Homem, pela via religiosa, alargando progressivamente a análise a exemplos mitológicos ocidentais, sobretudo aqueles da Antiguidade Clássica, e.g., a mitografia de Prometeu, onde lhes encontraremos o mesmo uso.
Pretende-se, com esta análise, detetar e identificar a existência de um protomito indo-europeu dos «limites» verticais, que ultrapassa em muito a perceção de uma «divisão» e «ordenação» do tempo e do espaço, estendendo-se às ideias de «superação», «reunião» e «transmissão», e que forma a base das conceções religiosas e simbólicas da cultura indo-europeia e, consequentemente,  as da espiritualidade contemporânea.

Rodrigo Moita de Deus

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Nota biográfica: Rodrigo Moita de Deus tem 41 anos, três filhos e dois livros publicados.
Entre algumas outras coisas, foi jornalista, blogger, consultor de comunicação e diretor do Newsmuseum.
Atualmente, é colaborador da RTP e comentador residente no programa «O último apaga a luz».

Rui M. Sá

Nota biográfica: Investigador integrado no CAPP – Centro de Investigação em Administração e Políticas Públicas e docente na área da Antropologia do Ambiente no ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Licenciado em Antropologia pela Universidade Técnica de Lisboa, com a especialidade de Relações Etno-Culturais e Antropologia Biológica (2003). Realizou a pós-graduação em Evolução Humana pela Universidade de Coimbra e o mestrado em Evolução e Biologia Humanas igualmente pela Universidade de Coimbra. Doutorado em Antropologia Biológica e Etnoecologia pela Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Cardiff, Reino Unido, tendo-lhe sido atribuído o título de Doctor Europaeus (2013). Fez o pós-doutoramento no recém-criado HPI-Lab (Laboratory for Infectious Diseases Common to Human and Non Human Primates) em Brno, República Checa, pertencente à Faculdade de Medicina Veterinária da University of Veterinary and Pharmaceutical Sciences (2012-2014). Tem experiência nas áreas de ecologia molecular e mastozoologia, sendo especialista em primatologia, mas também em parasitologia, genética da conservação, filogeografia e etnobiologia de primatas africanos, com ênfase na África Ocidental e em particular na Guiné-Bissau, onde trabalha desde 2007. Os seus interesses de investigação relacionam-se com a interseccionalidade entre a biologia, ecologia, conservação de primatas (e de outras espécies), doenças infecciosas emergentes e negligenciadas e perceções etnoculturais. Aplica metodologicamente uma miríade de técnicas abrangentes nos seus estudos: genéticas, parasitológicas e etnográficas.

Título da comunicação: A imanência cultural ecológica dos Anãki (Bijagós) da Guiné-Bissau: encontros e limites

Resumo: O arquipélago dos Bijagós – o único arquipélago deltaico da costa atlântica ocidental africana – aflora na Guiné-Bissau, sendo constituído por cerca de 88 ilhas e ilhéus. Em 1996, este importante património natural mundial viu ser reconhecido a sua relevância internacional pela UNESCO quando adquiriu o estatuto de Reserva da Biosfera, incorporando hoje também três áreas marinhas protegidas. Não obstante, somente 21 dessas ilhas são habitadas em permanência, sobretudo pelo principal grupo étnico dominante – os Añaki [Bijagós] que são simultaneamente os dunus di tchon [proprietários tradicionais da terra]. Muita da riqueza em biodiversidade que aí persiste deriva da relação que os Añaki mantêm com o seu entorno ambiental, sobretudo através de uma gestão tradicional de recursos naturais assente em valores fortemente culturais, religiosos e espirituais, que têm permitido manter assim uma homeostasia sustentável dos ecossistemas.
Neste arquipélago, os encontros e os limites entre duas esferas distintas, por vezes dicotómicas estão fortemente presentes, por exemplo: terra-mar; matutabanka; sagrado-profano; humano-não-humano. O principal objetivo deste trabalho é por isso questionar a construção de limite neste espaço de alteridade. A partir do meu trabalho de campo antropológico realizado junto de comunidades Añaki, sobretudo na ilha de Canhabaque e Bubaque, e assumindo uma abordagem etnográfica multiespécie, analisarei também os encontros interespecíficos em espaços de confluência, e.g. zona intertidal e apanha de kombé– (Tegillarca granosa) e como esses encontros podem marcar e inspirar aspetos de expressão cultural identitária e de performance artística, e.g. dança atete inspirada no encontro com a ave migratória (Numenius phaeopus), mas também como alguns animais domésticos, como é o caso do cão – Inipô –, podem ser uma espécie mediadora entre reinos: o reino vegetal, o reino dos humanos, o reino dos outros animais e o reino dos espíritos – orebuk.
Revisita-se assim o debate entre natureza e cultura, olhando para a religião de matriz tradicional africana dos Añaki e como ela pode ser o elemento demiúrgico da interconexão ou transposição de limites.

Rui Sousa

Nota biográfica: Concluiu a licenciatura em Estudos Portugueses e o mestrado em Estudos Românicos – Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea pela FLUL, tendo também concluído recentemente o doutoramento em Estudos de Literatura e de Cultura pela mesma universidade, com uma tese dedicada ao conceito de libertino em Luiz Pacheco. Investigador do CLEPUL. Publicou ensaios sobre Fernando Pessoa, Ronald de Carvalho e Eduardo Guimaraens na antologia 1915 – O Ano do Orpheu, coordenada por Steffen Dix, e em números recentes da Pessoa Plural. Colabora no projeto do CLEPUL dedicado ao estudo da Cultura Negativa, nomeadamente no Dicionário dos Antis (2018). Coordenou um livro dedicado ao período entre 1912 e 2012 na literatura portuguesa, A Dinâmica dos Olhares – Cem Anos de Literatura e Cultura em Portugal, em parceria com Ernesto Rodrigues (2017). Coordenou a preparação dos congressos internacionais Portugal no Tempo de Fialho de Almeida (2011) e Surrealismo(s) em Portugal – nos 60 Anos da Morte de António Maria Lisboa (2013). Fez parte da Comissão Organizadora do Congresso Orpheu 100 (2015).

Título da comunicação: Notas sobre as críticas de Roger Shattuck à transgressão moderna dos limites

Resumo: Nesta comunicação, procuraremos expor a perspectiva de Roger Shattuck acerca da noção de «conhecimento proibido» e de como o pensamento moderno, nas ciências como nas artes, procurou conduzir a exploração do Homem a um progressivo plano de transgressão dos limites. Nesse sentido, Shattuck aproxima o progresso científico à crescente atenção conferida a criações literárias deliberadamente contrárias aos valores vigentes, nomeadamente a partir da redescoberta de Sade no século XIX. Interessa-nos equacionar a pertinência das aproximações estabelecidas por Shattuck entre esses dois domínios e debater o núcleo da sua proposta: existem conhecimentos que devem ser tidos como proibidos? Em que medida o âmbito do conhecimento interage com a noção de limites e a sua consequente expressão nas diversas doxai comunitárias?

Título da comunicação: A liberdade como rutura: Notas sobre a condição libertina

Resumo: Nas suas várias reinterpretações, a noção de libertino encontrou-se sempre relacionada com formas específicas de entender a liberdade, na sua grande maioria apontando para a cisão entre determinadas propostas intelectuais e criações artísticas e os valores estabelecidos. Nesta comunicação, apresentaremos a libertinagem como hipótese de compreensão da condição humana, de acordo com a qual a liberdade libertina passa a conceber-se como território privilegiado para a crítica e a dinamização cultural e, desse modo, como exigência de problematização dos limites estabelecidos. A ultrapassagem desses limites é, neste ponto de vista, uma forma privilegiada de acesso à autonomia, nos planos da liberdade do pensamento, da constituição da identidade pessoal e da edificação de um vocabulário artístico distintivo. É nesses distintos planos que, como procuraremos salientar, a dinâmica libertina coloca em questão os limites, evidenciando a sua arbitrariedade e sobretudo o carácter fictício das instituições que os promovem.

Rui Vieira da Cunha

Nota biográfica: Licenciou-se em Direito (2003) e exerceu advocacia durante anos anos, antes de concluir uma licenciatura em Filosofia (2008), ambas pela Universidade do Porto. Possui uma pós-graduação em Medicina Forense (2004) e outra em Ensino (2009), também pela Universidade do Porto. É membro do MLAG (Grupo de Mente, Linguagem e Ação) do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), onde é investigador e atualmente está a concluir o seu doutoramento em Metafísica e Ética. Leciona Filosofia Social e Ética na Universidade Católica Portuguesa (Porto) e trabalhou como comunicador científico no IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular), como membro do Projeto NERRI (Neuro-Enhancement Responsible Research and Innovation). Publicou vários artigos sobre pessoalidade, identidade pessoal e tópicos relacionados, que constituem a maior parte da área de especialização da sua tese e atualmente está interessado em várias questões relacionadas, mas diferentes, na interseção entre filosofia e direito (livre arbítrio, dignidade humana, aprimoramento humano, punição etc.).

Título da comunicação: O que é que pensas que és? A metafísica do aprimoramento humano

Resumo: O aprimoramento humano, entendido como o uso não médico de tecnologias biomédicas para melhorar o corpo ou o desempenho humano além das suas limitações naturais (Dijkstra & Schuijff 2015), não é um empreendimento intocado e sem falhas. Aplicações como o diagnóstico genético pré-implantação, a estimulação cerebral profunda, a estimulação magnética transcraniana, novas farmacoterapias, os interfaces cérebro-computador e até mesmo os cenários hipotéticos de mind uploading fazem parte de um debate contínuo que coloca, por um lado, autores que se opõem ao aprimoramento por causa da dignidade humana (Kass, 2004) ou da nossa autocompreensão e autonomia (Habermas, 2003) e, por outro lado, autores que favorecem moralmente o aprimoramento humano (Harris, 2007) e o veem como a realização do nosso potencial humano (Kurzweil, 2005). 
Se desejarmos focar a raiz das divergências e considerar os primeiros (em sentido lógico) problemas levantados pelo aprimoramento humano, talvez possamos começar com a sua própria definição: como podemos fazer uma distinção entre terapia e aprimoramento? E podemos perguntar como abordamos de maneira abrangente tipos tão diversos de aprimoramento como aprimoramento cognitivo e aprimoramento moral. Se o nosso objetivo é ser específico sobre o tema do aprimoramento humano, talvez possamos concluir que todos esses elementos flutuam se introduzirmos mais uma variável, o tipo de tecnologia em jogo, e perguntarmos se há diferenças éticas fundamentais entre aprimoradores farmacêuticos e próteses, como um chip no nosso cérebro, por exemplo, ou se existem diferenças entre intensificadores permanentes e temporários? Todas essas preocupações, e particularmente as preocupações com a justiça, a igualdade e a liberdade de escolha, são, é claro, importantes e inevitáveis, e têm sido o foco do debate, juntamente com as questões éticas e sociais acima mencionadas. São, em última análise, preocupações que se resumem à discussão sobre que tipo de sociedade se pode criar com essas tecnologias e que tipo de sociedade se deseja criar de qualquer maneira. São também, de certa forma, preocupações com os limites ou as fronteiras do que aceitamos como modificações permissíveis da nossa natureza ou essência, se preferirmos usar tais termos.
Nesta comunicação, no entanto, proponho dar um passo atrás e sustentar uma afirmação mais geral, porém mais polémica: que todos esses problemas éticos, sociais, políticos e até legais com o aprimoramento dependem de que tipo de entidades seres como nós somos. Ou seja: a nossa conceção metafísica sobre a entidade que está sendo aprimorada (se a encaramos como uma pessoa, um organismo, um cérebro, um composto de alma e corpo ou qualquer outra alternativa possível) determina e deve determinar o espetro de possíveis teorias sobre o aprimoramento que podemos apoiar de forma consistente. Pretendo mostrar que diferentes tipos de teorias sobre pessoalidade e identidade pessoal podem comprometer-nos com diferentes posturas sobre os desafios éticos do aprimoramento e também, por outro lado, que algumas perspetivas filosóficas sobre o aprimoramento humano são, mesmo que inconscientemente, influenciadas pela conceção de pessoalidade e identidade pessoal que as molda.
Mais especificamente, argumentarei que o debate sobre aprimoramento e muitas das tecnologias abordadas nele (estejam elas ao virar da esquina ou apenas parte de cenários futuristas) trazem à tona as nossas considerações sobre que tipo de seres nós somos [qual é nossa essência ou natureza (N)], como persistimos ao longo do tempo [identidade pessoal ou (PI)] e se ainda seremos pessoas depois de aprimorados (e por quê – a questão da pessoalidade ou (P)] e muitas outras questões filosóficas que podemos dizer, vagamente, estarem relacionados com a pessoalidade e a identidade pessoal (ver, por exemplo, DeGrazia 2005).
O facto é que o debate sobre aprimoramento parece construído sobre uma conceção metafísica que favorece as teorias psicológicas da identidade pessoal (como Parfit 1971 e 1984, Nagel 1986, Noonan 2003) ou pelo menos sugere a não solidez das teorias biológicas ou o que Eric Olson chama abordagem somática – representada, além do próprio Olson, por uma série diferente de autores (como Ayer 1963, van Inwagen 1990 e Thomson 1997), que compartilham a crença de que alguma relação física bruta responde à questão tradicional da identidade pessoal (Olson 2010).
Dizendo as coisas de uma maneira diferente: se os desafios éticos devem ser abordados abruptamente, sem se basear em seus fundamentos metafísicos, poucas hipóteses de progresso podem ser esperadas. As questões metafísicas devem ser abordadas porque as conceções metafísicas sustentam todo o debate sobre o aprimoramento. Se, no entanto, devemos fazer uma pausa e nos esforçar por entender a base das nossas conceções compartilhadas de pessoalidade e identidade pessoal, as noções que determinam quem somos (ou quem pensamos que somos), talvez possamos chegar a uma noção mais clara do tipo de questões que são realmente problemáticas e aquelas que não são.
 Argumentarei neste artigo que as perguntas sobre N, PI e P são mais bem respondidas adotando uma versão revista da tese reducionista de Parfit. Assim, as tecnologias de aprimoramento servirão como teste para essa reivindicação. Vou concentrar-me em dois tipos diferentes de aprimoramentos tecnológicos, todos eles pretendendo conceder a seus sujeitos uma continuação da existência e talvez até imortalidade: a digitalização e o carregamento para uma mente (digital) e a substituição inorgânica completa. Usando cenários futuristas envolvendo essas tecnologias, meu objetivo é duplo: 1) enfatizar que esse debate e essas tecnologias nos forçam a enfrentar uma questão que foi abordada em debates filosóficos sobre identidade pessoal e pessoalidade, ou seja, a interconectividade entre questões práticas e metafísicas (ver Korsgaard 2003 & 2009 e Schechtman 2008, 2010 e especificamente 2014) e 2) argumentar que uma noção reducionista de pessoa, baseada na reescrita das teses originais de Parfit (1984), pode concordar com a nossa visão de mundo naturalista atual e explicar e corrigir as nossas intuições populares sobre essas perguntas.
O aprimoramento humano (seja moral, cognitivo ou qualquer outra variedade), resumindo, é inteiramente acerca da natureza humana, da nossa essência e do nosso estatuto moral. No final, o aprimoramento humano e a sua (im)permissibilidade dependem do que somos e do que queremos ser.

Samuel José de Oliveira

Nota biográfica: Doutor em Antropologia Filosófica pela Universidade Nova de Lisboa (2019), com uma tese intitulada Platão e o Problema do μεταξύ como Determinação Fundamental, que obteve a classificação máxima do júri. Para além da antropologia filosófica, as suas principais áreas de investigação são a filosofia antiga e a filosofia medieval, com especial interesse em Sófocles, Platão, Aristóteles e a Patrística, sobretudo Santo Agostinho. Autor da monografia Platão e o Cavalo de Pau – Aspetos do Problema da Síntese e da Constituição do Acesso no Teeteto (Porto, Fundação Eng. António de Almeida, 2015) e de artigos e comunicações vários, bem como de algumas traduções. Coordenou e participou em seminários de tradução (alemão, latim e grego antigo) entre 2006 e 2014. Vencedor da segunda edição do Prémio de Ensaio Filosófico Manuel Barbosa da Costa Freitas. Investigador do IEAC-GO.

Título da comunicação: Como se fôssemos marionetas nas mãos dos deuses. Liberdade e os seus limites nas Leis de Platão

Resumo: Em Leis I, 644dss., Platão debate-se com o problema de saber em que consiste a educação (paideia) – que, neste trecho, é em parte identificada com a noção de enkrateia («força da vontade», poder ou controlo sobre si). Trata-se de perceber como é que esta pode ser alcançada, que implicações tem, em que é que difere de uma vida «não educada» (i.e., marcada por akrasia), etc. Neste contexto, Platão constrói (como uma espécie de «experiência de pensamento») uma estranha imagem: imaginemos que cada um de nós é uma marioneta cujos «fios» são puxados pelos deuses. O presente artigo explora esta imagem – mais precisamente, procura compreender qual é a sua articulação com a noção de enkrateia/akrasia, mas também em que sentido e até que ponto se pode falar de cada um de nós como seres livres, com poder de escolha, de tal modo que uma vida «bem formada» ou «educada» e a vida oposta não dependem só de circunstâncias exteriores, antes são de alguma forma «postas» por «mim». A imagem das Leis parece inviabilizar qualquer tipo de efetiva autodeterminação – mas será mesmo assim?

Sara Carvalhais de Oliveira

Nota biográfica: Doutorada em Antropologia Filosófica pela Universidade Nova de Lisboa, com uma tese sobre a noção de espírito (Aand) na obra de Søren Kierkegaard (2016). Tem uma tradução publicada (Søren Kierkegaard, Diapsalmata, tradução do dinamarquês e notas por Bárbara Silva, M. Jorge de Carvalho, Nuno Ferro e Sara Carvalhais, posfácio de M. Jorge de Carvalho e Nuno Ferro, Lisboa, Assírio & Alvim, 2011). Dedicou-se durante oito anos à tradução do dinamarquês, a título informal, tendo colaborado na tradução de A Repetição e A Doença para a Morte, de Søren Kierkegaard. Participou em seminários de tradução do latim (Metamorfoses, de Ovídio), grego (Fédon, de Platão) e alemão (Sein und Zeit, de Martin Heidegger). Integrou um painel de arbitragem científica de uma monografia e a comissão organizadora e científica das Jornadas Educar para a Morte (25-26.10.2019). Revisora linguística freelancer para diversas editoras (ficção e não ficção). 

Título da comunicação: Assim seja: o limiar entre a vida e a morte em relatos de condenados à morte

Resumo: «Aqui passei as mais duras horas da minha existência, mas também as mais abençoadas»: este é o balanço que Joseph Müller faz do seu encarceramento, por ser considerado «politicamente suspeito» pelos serviços de Hitler, e tendo a sua morte agendada. Esta avaliação do tempo de prisão não é isolada: muitos relatos de encarcerados nos mostram indivíduos pacificados com a própria vida, experienciando uma genuína aceitação do seu destino: a execução. Nos dias precedentes à execução da sentença, manifestam os seus laços mais fortes, e aos seus mais queridos o que mais profundamente lhes perpassa a alma. Aí, não há ódio, ressentimento, rancor, mas, muitas vezes, e surpreendentemente, uma reconciliação com a vida e, até, em alguns casos, uma serena alegria pelo seu fim, não apenas apesar dele. Através da análise de algumas cartas e anotações, procuraremos vislumbrar algo que da natureza da experiência humana se revela no limiar entre vida e morte.

Sónia Vazão

Nota biográfica: Sónia Vazão é licenciada em História, variante de História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e doutoranda em Estudos Globais na Universidade Aberta. Além da atividade de docente em várias escolas do ensino básico, secundário e superior, colaborou com o Museu Grão Vasco e com a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais como técnica de inventário. Entre fevereiro de 2012 e janeiro de 2019, integrou a equipa do Museu do Santuário de Fátima, tendo sido coordenadora do Serviço de Inventário, Exposição e Interpretação do Património do referido Museu. 
Atualmente, é coordenadora do Serviço de Investigação do Departamento de Estudos do Santuário de Fátima e pertence ao Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima. Integra o CLEPUL, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa, e é membro fundador do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização (IEAC-GO) e do Instituto da Padroeira de Portugal para o Estudo da Mariologia (IPPEM). 

Título da comunicação: A globalização do fenómeno de Fátima: o papel de Maria Teresa Pereira da Cunha nas cinco primeiras viagens da imagem da Virgem Peregrina de Fátima

Resumo: O fenómeno de Fátima difundiu-se por todos os continentes, sendo hoje um dos fenómenos globais de origem portuguesa de especial relevância. Atualmente, apenas para citar alguns exemplos, existem em todos os continentes lugares de culto dedicados à Virgem de Fátima, tais como igrejas e santuários, e são milhares as imagens desta invocação mariana veneradas no mundo. Vários foram os fatores que contribuíram para a globalização de Fátima, tais como o periódico a Voz da Fátima, a ação dos prelados leirienses e as viagens da imagem da Virgem Peregrina, entre outros. As peregrinações da Imagem Peregrina foram e são uma estratégia pastoral de difusão do culto à Virgem de Fátima com impacto mundial, além de terem particular importância para a consolidação de Fátima enquanto fenómeno global, razão pela qual importa compreender e estudar as referidas viagens. 
No dia 13 de maio de 1947 foi solenemente coroada a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima por D. Manuel da Conceição Mendes, arcebispo de Évora. A primeira viagem desta Imagem iniciou-se no dia da sua coroação e, ao longo das suas peregrinações, percorreu milhares de quilómetros, tendo visitado todos os continentes e tornando-se num ícone de especial valor no contexto da história de Fátima. 
Para o sucesso das cinco primeiras viagens desta Imagem, além da ação de D. José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria, assim como do contributo de outras figuras, é incontornável destacar o papel de relevo que Maria Teresa Pereira da Cunha, uma mulher leiga, teve na sua organização. 
Além de integrar a comitiva que, nos finais da década de 40 e inícios dos 50 do século XX, acompanhou a peregrinação da Virgem Peregrina que visitou todos os continentes, foi presidente da Comissão Central da Peregrinação Mundial de Nossa Senhora de Fátima, tendo tido, no exercício deste cargo, a responsabilidade logística das referidas viagens. A «incansável organizadora», como foi apelidada no periódico Voz da Fátima, de 13 de maio de 1948, proferiu conferências, contactou entidades religiosas e civis, entre outras diligências, em ordem a angariar os apoios necessários para que as viagens se concretizassem. 
Num contexto social e religioso que atribuía às mulheres um papel específico na sociedade, Maria Teresa Pereira da Cunha teve um papel ativo e de liderança em alguns dos aspetos da organização das cinco primeiras viagens da imagem da Virgem Peregrina de Fátima.

Steven S. Gouveia

Nota biográfica: Investigador doutorando na Universidade do Minho (financiado pela FCT: SFRH/BD/128863/2017), orientado pelo filósofo Manuel Curado e pelo neurocientista Georg Northoff. Investigador-visitante na Minds, Brain Imaging and Neuroethics Unit do Royal Institute of Mental Health na University of Ottawa. Investigador no Mind, Language and Action Group, Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, e no Lisbon Mind & Reasoning Group, IFILNOVA – Universidade Nova de Lisboa. Publicou oito livros sobre diversos temas como Filosofia da Mente, Bioética, Democracia e Inteligência Artificial, contando com prefácios de Noam Chomsky e Peter Singer. Publicará brevemente o seu novo livro Homo Ignarus: Ética Racional para Um Mundo Irracional e é o anfitrião do documentário internacional The Age of Artificial Intelligence.

Título da comunicação: Os limites biológicos da morte e a imortalidade tecnológica

Resumo: O Homem, desde tempo imemoriais, sempre procurou o elixir da imortalidade e superar os seus limites biológicos: veja-se o caso dos alquimistas antigos, que acreditavam que este produto conseguiria curar todas as doenças possíveis, prolongando assim a vida indefinidamente. Relembramos também a Ilha dos Bem-Aventurados, que tanto fascinava os gregos antigos.  Mas será a imortalidade possível? Uma das propostas mais promissoras em cima da mesa é conseguirmos fazer o upload da nossa mente para um substrato artificial. Em 2012, uma equipa de cientistas conseguiu realizar o connectome inteiro – o mapa de todas as ligações que os neurónios possuem uns com os outros – de um pequeno ser vivo chamado C. Elegans (Caenorhabditis elegans) e, aparentemente, fazer o upload da sua «mente» para um robô de lego. A ideia foi plantar no sistema computacional do robô toda a estrutura neuronal da C.Elegans. Depois de ligado o robô, este percorreu todos os caminhos e fez todos os movimentos que tinham sido executados pela minhoca antes de ter sido analisada. O robô começou a comportar-se e a responder ao ambiente como uma minhoca faria sem qualquer programação prévia ou intervenção humana. Será esta proposta plausível para seres humanos? Nesta conferência, iremos debater os pressupostos filosóficos desta proposta tecnológica, nomeadamente: 1) a ideia – profundamente cartesiana – de que apenas a replicação do cérebro interessa para replicar a vida mental; 2) a ideia localizista de que a identidade pessoal – o eu transferido – se encontra também no cérebro humano (desconsiderando assim o corpo e a interação do mesmo com o ambiente); finalmente, 3) a ideia de que apenas se a teoria computacional da mente estiver correta é que a proposta do upload da nossa mente ganha força; contudo, não há evidências que esta teoria da mente seja a mais plausível. Encerraremos a nossa reflexão com algum ceticismo em relação a este tipo de propostas.

Título da comunicação: Os limites da neurociência contemporânea: o cérebro preditivo

Resumo: O processamento preditivo (PP) (também chamado teoria do processamento preditivo da cognição) é um enquadramento teórico recente que reúne várias ideias sobre o cérebro e a mente. A ideia principal é refutar o que podemos chamar de «doutrina tradicional» do cérebro. No sentido tradicional, o cérebro é visto como um mero órgão passivo, cuja atividade é determinada apenas pela perceção externa dos sentidos. Mais importante, um papel ativo do cérebro é negado nessa doutrina tradicional: as únicas funções que o cérebro tem é associar os diversos estímulos entre si. No entanto, por várias razões, esse modelo do cérebro tem levantado muitas suspeitas. A ideia original do PP foi inicialmente exposta pelo psicólogo Hermann von Helmholtz no século XIX. Em contraste com o modelo tradicional do cérebro, a abordagem do processamento preditivo vê o cérebro como um mecanismo de previsão: o cérebro combina os sinais sensoriais da realidade com suas expectativas ou crenças anteriores sobre a maneira como o mundo é para formar o seu melhor palpite sobre o que causou esses sinais. Aqui, supõe-se que o cérebro não perceciona som ou luz: o que percecionamos é a melhor previsão do que existe no mundo. O cérebro preditivo representa a ideia de que a neurociência contemporânea está a atingir um limite concetual, baseado em antigas pressuposições filosóficas, que devem ser derrubadas por uma neurociência cognitiva mais atualizada. Nesta palestra, tentaremos defender essa tese oferecendo variadas evidências.

Susana Romana

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Nota biográfica: Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa), passou à escrita criativa e ao guionismo, integrando a equipa das Produções Fictícias, nomeadamente o projeto Inimigo Pùblico, do Público. Foi também das primeiras pessoas a integrar a equipa do Canal Q, o canal humorístico das Produções Fictícias. Atualmente, faz a rubrica «Macaquinhos no sótão», da rádio M80.

 

Tiago de Jesus Sousa

Nota biográfica: Professor associado de filosofia no Instituto de Saúde Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas, Brasil. É licenciado e mestre em Filosofia e atualmente desenvolve o seu doutoramento em Filosofia na Universidade de Coimbra, Portugal. É membro do International Merleau-Ponty Circle – IMPC/EUA e concentra a sua pesquisa na obra do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty especialmente em seus estudos ligados à arte e à ontologia.

Título da comunicação: O limite da razão na vivência dos corpos

Resumo: O objetivismo e a rigidez conceptual elegeram, desde muito cedo, a razão como a fonte inesgotável e infalível das nossas conexões com o mundo e com a realidade vivida. De Plotino a Descartes, há, ao longo da história da filosofia, anúncios de emergências para o desenvolvimento de critérios de objetivação do conhecimento. Em quase todos eles, a configuração do mundo só tem existência e sentido através da reflexão do pensamento. Esse primado da razão transforma o corpo, em alguns casos, num objeto amorfo e noutros em um simples veículo de uma consciência nua. Nesse contexto, o corpo é apenas qualquer coisa extensa jogada no mundo como todas as outras coisas extensas, que só tem garantida a sua existência a partir de um objetivismo que não leva em conta o próprio sentido da natureza.
Enfrentando essa tese, Maurice Merleau-Ponty aponta que só é possível conhecer verdadeiramente o corpo e o mundo a partir da sua vivência. Ora, o corpo não é uma ideia ou um objeto exterior distinto que só age a partir de uma ordem do pensamento operatório; ao contrário, é o corpo que possibilita a experiência do mundo, uma experiência viva que não depende de qualquer representação racional para acontecer e que se dá no tecido da perceção, que é o próprio solo das significações humanas. Esse corpo vivo carrega em si duas camadas: o corpo atual, que coexiste entre as coisas, que é um «esboço do meu ser total», e uma camada mais profunda, um extrato mais fundo da corporeidade, o corpo habitual, que conserva uma promiscuidade absoluta com o mundo e que apontamos aqui como o limite, o lote inalcançável pela razão. 
A tese que se propõe é que o corpo habitual, que mantém essa relação de imbricação e indissociabilidade com o mundo, possibilita uma presença inalienável do Ser e garante que o mundo seja compreendido pelo corpo a partir desse contato pré-reflexivo, que, no entanto, é um maço de significações sólidas do qual a razão é subordinada e dependente. A unidade do corpo habitual com o mundo garante um engajamento completamente revelador de uma experiência irredutível, general e selvagem, que antecede todo o saber racional e que promove uma vivência do mundo que é exclusiva dos corpos.

Tiago Martins

 

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Nota biográfica
: Tiago Martins, 26 anos, licenciou-se em Relações Internacionais em 2009 e está em vias de concluir o Mestrado em Estratégia, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.
Começou a escalar em 2003, no seio do Clube de Actividades de Ar Livre e é monitor de Escalada desde 2006, integrando o Quadro Técnico de Monitores da SAFE – Associação para a Dinamização e Formação em Escalada.